Drogas

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"O paraíso artificial das drogas é bem a imagem de uma civilização reduzida a pó."

Octavio Paz

Descomunal é a força do Juízo Final agora, em sua última fase. Não há povo na Terra, uma só comunidade ou família que seja, um indivíduo sequer que não esteja hoje sob os efeitos do grande ajuste de contas, recebendo de volta tudo o que foi gerado pela sua vontade, seus pensamentos e suas ações.

Há anos as pessoas sentem uma inquietação interior que não se deixa aplacar por nada, aumentando progressivamente. Uma grande parte atribui esse desconforto, aparentemente sem motivo, à vida agitada de nossa época, e procuram alívio nos divãs dos analistas ou em medicamentos para stress. Ao verem tantas outras pessoas na mesma situação, sentem-se mais ou menos consoladas, justificando assim também outros sintomas de stress que detectam em si, como: nervosismo, irritação, mau-humor, explosões de raiva, insatisfação com a vida, depressão, sentimentos de inveja e cobiça, etc.

Somente algumas poucas atribuem a essa inquietação interior alguma causa própria, isto é, algo que elas mesmas tenham feito e que provocou esse sentimento interior de falta de paz. Essa é, porém, a única maneira correta de enfrentar o problema. Pois tudo o que nos atinge, seja de bom ou de mal, temos de atribuir somente a nós mesmos, como geradores.

Partindo deste reconhecimento, e procurando com humildade e sinceridade a razão do seu sofrimento, a respectiva pessoa acabará por encontrar de alguma forma a explicação verdadeira, sem lacunas, sobre aquilo que a atinge tão dolorosamente. Ao encontrar a explicação terá também achado o auxílio verdadeiro para se libertar de suas dores de alma, o qual consiste, única e exclusivamente, na sintonização acertada de sua vida com as indesviáveis, inamovíveis Leis que regem a Criação.

Essa libertação do errado e do mal depende sempre apenas da própria pessoa. No esforço sincero e diligente à procura de uma saída do labirinto em que entrou reside uma atitude de doação, e por isso ela pode receber auxílio. Não diferentemente. Nem imediatamente. Foi ela própria quem quis entrar no labirinto, apesar de todas as advertências e avisos. Mais ainda: ela mesma ajudou a construir o labirinto com sua maneira errada de pensar, falar e atuar. Por isso, agora, ela tem primeiro de reconhecer que está num labirinto, e que por conseguinte a vida que leva tem de estar errada. Depois desse reconhecimento ela precisa ainda mostrar que quer realmente sair de lá, ou seja, tem de se esforçar nesse sentido. Então, e somente então, receberá o auxílio de que necessita, mas sempre na medida do próprio esforço. Não mais. Trata-se de uma efetivação da Lei do Equilíbrio.

É um caminho penoso, difícil, mas não existe outro. O labirinto do viver errado foi construído em profundezas abismais. Por isso, quem quiser sair de lá precisa escalar paredões íngremes, até conseguir, pouco a pouco, vislumbrar um pouco mais de Luz à sua frente, quando então a subida também não será mais tão difícil e a saída já estará nitidamente reconhecível. Quem for sincero em sua tentativa de escalada e se esforçar correspondentemente receberá, de modo automático, como efeito das Leis da Criação, uma corda, em que poderá se alçar com segurança. A corda, evidentemente, não o livra do esforço em subir, mas o conduz para fora com absoluta certeza, se ele não esmorecer em sua escalada.

Já com os que não são sinceros o processo é diferente. Em grandes grupos procurarão encontrar saídas fáceis e confortáveis que os levem sem esforço para fora daquele local de sofrimento. Contudo, esses atalhos que imaginam ter tomado para cima os conduzem para profundezas ainda maiores, de onde nunca mais será possível achar o caminho de volta.

Todos os que seguem por esses falsos atalhos são espíritos fracos, indolentes, incapazes do mínimo esforço em melhorar a sua maneira de ser. Preferem desperdiçar o escasso e preciosíssimo tempo terreno que ainda lhes resta com charlatões, ao invés de dar um único e verdadeiro passo no sentido do aperfeiçoamento espiritual, da mudança de sintonia interior.

O grupo daqueles que segue pelo atalho do consumo de drogas é o que já desceu mais fundo e rápido. São tão broncos, preguiçosos e covardes, que tentam achar um alívio imediato, instantâneo, para suas aflições de alma. Mesmo que esse alívio dure apenas alguns segundos e destrua progressivamente seus corpos e suas almas.

Cabe mencionar aqui as palavras do Dr. Eduardo Kalina, autor do livro Os Efeitos das Drogas no Cérebro Humano: "Estupor, estupefato, estupefaciente e estúpido têm a mesma raiz etimológica, e ainda que pareça surpreendente este é um dos atrativos de todas as drogas: fugir para a fantasia, viver de ilusões, não pensar, tornar-se estúpido, ser um bom comprador, não questionar a sociedade, adaptar-se, modificar a realidade mediante percepções intensas sem acionar a realidade externa(...)".

O Juízo força a movimentação de tudo quanto jaz parado ou escondido na alma humana, para que a pessoa reconheça aquilo que tem de errado dentro de si e se liberte do mal, ao mesmo tempo em que procura reforçar aquilo que reconhece como bom.

Como isto, porém, exige esforço próprio, a maior parte dos seres humanos, por comodismo, sucumbe ao mal que revive em seus íntimos nessa época. Com isso, eles próprios imprimem em si o cunho de sua absoluta inutilidade na Criação e se condenam no Juízo. Eles mesmos confirmam com a sua atitude serem criaturas nocivas; eles mesmos se apresentam afoitamente como o joio que tem de ser eliminado agora, durante a colheita do trigo.

O aumento desenfreado do consumo de drogas no mundo, bem como o surgimento contínuo de novos entorpecentes, é um sinal claríssimo da decadência humana, uma prova a mais de que a imensa maioria da humanidade se decidiu, pela última vez, em favor das trevas.

Quando um psicotrópico chega ao cérebro, estimula a liberação de uma dose extra de um neurotransmissor, provocando as sensações de prazer. À medida que o uso vai se prolongando, o organismo do usuário tenta se ajustar a esse hábito. O cérebro adapta seu próprio metabolismo para absorver os efeitos da droga. Cria-se, assim, uma tolerância ao tóxico. Desse modo, uma dose que normalmente faria um estrago enorme torna-se em pouco tempo inócua. O usuário procura a mesma sensação das doses anteriores e não acha. Por isso, acaba aumentando a dose. Fazendo isso, a tolerância cresce e torna-se necessária uma quantidade ainda maior para obter o mesmo efeito. A dependência vai assim se agravando continuamente.

Como o psicotrópico imita a ação dos neurotransmissores, o cérebro deixa de produzi-los. A droga se integra ao funcionamento normal do órgão. E quando falta o “impostor” químico, o sistema nervoso fica abalado. É a síndrome da abstinência.

Os neurotransmissores são substâncias químicas capazes de transmitir um sinal elétrico de um neurônio a outro. Assemelham-se a um eletrólito de bateria, o qual permite que a corrente elétrica circule pelas placas. Depois de retransmitir o sinal elétrico o neurotransmissor normalmente é reabsorvido, para não ficar estimulando indefinidamente os outros neurônios, permitindo que eles possam reagir rapidamente a novas exigências. As drogas que provocam euforia, como a cocaína, impedem essa reabsorção, de modo que o cérebro fica super-ativado. Não é difícil perceber o estrago que essa intervenção antinatural pode provocar, quando se sabe que num minuto ocorrem trilhões de trocas neuroquímicas no cérebro. Não é sem razão que muitos especialistas em drogas chamam esse estado de "prazer espúrio"...

Os jovens de nossa época estão se drogando cada vez mais. De acordo com uma matéria publicada na revista 

Mindde setembro de 99, o dependente químico do início do próximo milênio terá um perfil característico: mais jovem, ele se caracterizará pelo consumo simultâneo de várias drogas:

“Hoje em dia as pessoas raramente usam uma droga só”, afirma o psiquiatra Laranjeira. “Verifica-se o uso maior de múltiplas substâncias, com pessoas trocando uma droga por outra, e usando drogas em várias combinações.”A Organização Mundial de Saúde, por sua vez, alerta: “É evidente que intoxicação, envenenamento e overdoses aumentem com estas novas associações de substâncias”.

O significativo aumento do número de crianças e jovens em condições de vulnerabilidade, o abuso de substâncias psicoativas crescerá entre jovens de idade cada vez menor, revela o estudo da revista Mind. Crianças de rua, por exemplo, uma preocupação que antes só afetava os países do chamado Terceiro Mundo, hoje já são encontradas em cidades tão desenvolvidas como Toronto, no Canadá.

Os especialistas costumam dividir as drogas em dois tipos: leves e pesadas. Drogas leves são as que causam "dependência psíquica", que significa o desejo irrefreável de consumir a droga. Drogas pesadas são aquelas que além da dependência psíquica causam também a física, ou seja, a sua falta acarreta uma síndrome de abstinência tão violenta, com sintomas físicos tão dolorosos, que o viciado procura desesperadamente pela droga a fim de aliviar a ânsia de consumo. Por essa razão, fumo e álcool podem ser considerados como drogas pesadas, apesar de serem socialmente aceitas.

DROGAS LEGAIS

Fumo

A dependência psíquica de alcoólatras e fumantes inveterados não é, como se imagina, originada apenas de suas vontades. Tais pessoas atraem almas que possuem o mesmo tipo de pendor, as quais ficam então próximas a elas, na tentativa de usufruir um pouco do prazer ocasionado pelo vício.

É o desejo dessas almas, pesadamente carregadas de vícios e pendores, que o viciado na Terra sente como uma compulsão incontrolável para fumar ou beber. Desse modo ele se torna, por vontade própria, escravo dessa escória invisível que ainda vive nas regiões mais baixas do chamado além. É esta também a razão de cerca de 90% dos fumantes não conseguirem deixar o vício, independentemente do método usado em suas tentativas.

A nicotina é um alcalóide estimulante do sistema nervoso central. Extrai-se das folhas de mais de sessenta espécies de Nicotiana. As mais usadas são a rustica e a tabacum.

As primeiras tragadas são, em geral, acompanhadas de náusea, tontura e ânsia de vômito. É preciso um esforço considerável para “aprender a fumar”.A nicotina estreita os vasos sangüíneos e libera os hormônios que aumentam a pressão arterial, uma das causas do infarto. O alcatrão se acumula nos pulmões e causa enfisema, uma doença grave e incurável. O fumo é, comprovadamente, o responsável direto por várias outras doenças, conforme veremos a seguir.

Até aproximadamente metade do século XX o hábito de fumar era tido como socialmente elegante, e praticamente ninguém se importava com os malefícios que eventualmente pudesse causar. Nas últimas décadas, porém, apesar de as propagandas de cigarro continuarem vendendo uma imagem de saúde e intrepidez, quase sempre relacionada a algum tipo de esporte, a verdade começou a vir à tona.

A verdade tem de aparecer agora em todos os aspectos da vida humana, independentemente dos desejos ou atos de pessoas ou nações. Tudo quanto for errado e falso será descoberto e mostrado à luz do dia, antes de ser destruído para sempre. Quem não quiser ou não puder reconhecer esse errado, e preferir continuar aderido a ele, sucumbirá conjuntamente. Isso vale para tudo, de falsas crenças religiosas a hábitos errados de vida. Tudo quanto é falso tem de se mostrar como realmente é, antes de desaparecer por completo.

Há alguns anos, um médico me disse que fumava por não existir ainda nenhuma comprovação científica de que o cigarro realmente fazia mal à saúde. Hoje, conforme se verá mais à frente, ele já não poderia dizer isso1.

Na década de 30 surgiam uma média de 5 artigos por ano nas revistas americanas sobre os malefícios do fumo. A partir de 1955 esse número subiu para 35 artigos anuais em média. Na década de 70 já se sabia que o fumo provocava o aparecimento precoce da menopausa e aumentava o risco de osteoporose nas mulheres tabagistas. Em 1980, um trabalho publicado pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos demonstrou que no homem o fumo reduzia os níveis do hormônio testosterona. Hoje, centenas de artigos científicos alertam anualmente as pessoas sobre os riscos do fumo.

Em 1986, o hábito de fumar entre os americanos foi identificado como a principal causa de morte evitável, responsável por mais de 300 mil mortes por ano, 135 mil das quais por câncer no pulmão. Morriam na época quase 800 pessoas por dia no país, vítimas do cigarro. A Sociedade Americana do Câncer informava que o fumo tinha os seguintes efeitos no organismo humano: enfisema, câncer da laringe, câncer do pâncreas, câncer da bexiga, infarto do miocárdio, úlcera péptica, câncer bucal, câncer do pulmão, câncer do esôfago, problemas durante o parto e com o feto. Aliás, diga-se de passagem que o câncer não é uma prerrogativa do cigarro exclusivamente, mas do fumo de uma maneira geral. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos informou que o consumo de um charuto por dia, mesmo sem se tragar a fumaça, dobra as chances de ocorrência de câncer no esôfago e na boca; comparada à do cigarro, a fumaça do charuto emite 20 vezes mais amônia, cádmio e outros agentes cancerígenos.

Em 1995, uma pesquisa realizada em doze países por um instituto francês de oncologia, revelou que nada menos que 97,5% dos casos de câncer do pulmão estavam relacionados ao hábito de fumar. Novas pesquisas demonstraram posteriormente que o fumo está também diretamente relacionado ao câncer de mama, câncer de colo do útero e câncer cervical. O cigarro já foi apontado como fator de risco de 24 doenças diferentes. Segundo a OMS, o fumo aumenta em quase dez vezes a chance de ocorrer derrame cerebral, além de ser responsável por 75% dos casos de enfisema e bronquite no mundo.

Em 1997, um estudo divulgado nos Estados Unidos indicava que mais de 40% dos casos de câncer do estômago estavam ligados ao fumo. Também neste ano os próprios fabricantes de cigarro admitiram os malefícios do fumo, ou foram forçados a fazê-lo. O dono da empresa de tabaco Ligget Group, em depoimento na Corte de Miami, afirmou que "o cigarro causa câncer, doença cardíaca, enfisema e provoca dependência em muitas pessoas." Um pesquisador disse que a empresa RJR sabia há mais de 25 anos que o cigarro causava enfisema, conforme verificado em coelhos de laboratório. Logo depois, o presidente da maior companhia de cigarros do mundo, a Philip Morris, admitiu a possibilidade de o cigarro ter sido o responsável pela morte de 100 mil americanos. Em troca do encerramento de 17 ações coletivas contra os fabricantes de cigarro, a indústria americana de tabaco concordou em aplicar US$ 368,5 bilhões em saúde pública nos próximos 25 anos.

Até que foi um bom negócio para essa indústria, pois ela nem de longe queria imaginar a possibilidade de que uma parcela significativa dos parentes dos cerca de 1,3 milhões de mortos anualmente pelo fumo resolvessem também abrir processos judiciais... Isso sem contar os doentes... Segundo a OMS, o hábito de fumar é a causa conhecida ou provável de cerca de 25 doenças. Doenças que levam à morte de uma maneira ou de outra. Em setembro de 1998, na abertura da 25% Conferência Sanitária Pan-Americana em Washington, promovida pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS), Gro Harlem Brundtland, afirmou que o tabaco está se convertendo rapidamente na principal causa de morte na América Latina.

Nos Estados Unidos o consumo de cigarros cresceu vertiginosamente neste século. Em 1930 foram vendidos 120 bilhões de cigarros; em 1945, 267 bilhões; em 1988, 595 bilhões. Estima-se que cerca de três mil crianças começam a fumar a cada dia no país. De 1989 a 1993, o número de fumantes americanos com idade entre 12 e 17 anos que compram o próprio cigarro subiu 62% de acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças de Atlanta. Enquanto existe uma tendência mundial de os velhos fumantes abandonarem o vício, o hábito de fumar não para de crescer entre crianças e adolescentes americanos. Em 1991, 27% deles fumavam; seis anos depois esse contingente passou para 36%. Uma pesquisa divulgada pelo Centro de Informação e Prevenção do Tabaco revelou que em meados de 1998 havia cerca de 50 milhões de fumantes no país.

No Brasil, levantamento feito pelo Cebrid em escolas públicas de dez capitais indica que o número de estudantes que dão as primeiras tragadas na faixa etária dos 10 aos 12 anos dobrou em dez anos. De um total de 40 milhões de fumantes no país, cerca de 3 milhões têm até 19 anos.

A indústria de tabaco calculava que as vendas no mercado asiático cresceriam 33% entre 1991 e 2000. Na China, o número de fumantes cresce 2% ao ano desde 1985, e já há no país 180 fábricas de cigarro. Uma pesquisa mostrou que apesar do seu modesto poder aquisitivo, os chineses se dispõem a gastar uma média de 60% de sua renda pessoal na compra de cigarros… Estima-se que meio milhão de chineses morram anualmente vítimas do fumo. Em Cingapura, 5% dos habitantes com 18 ou 19 anos fumavam em 1987; em 1996 eram 15%. Em Taiwan, apenas 3% dos jovens entre 15 e 17 anos tinham o hábito de fumar em 1985; em 1991 eram 20%. Na Rússia, em 1997, metade dos jovens de 16 e 17 anos eram fumantes.

No Brasil, o consumo de tabaco subiu 127% entre as décadas de 70 e 90, enquanto a população cresceu 55% no mesmo período. Em 1970 havia no país uma mulher fumante para cada grupo de 13 homens fumantes; em 1995, para cada grupo de 11 homens fumantes havia 10 mulheres que fumavam. Para provar sua "emancipação", a mulher escolheu o caminho do vício, tornando-se tão escrava desse pendor quanto o homem… Em 1995 estimava-se que morriam 100 mil pessoas por ano no Brasil devido ao fumo. Um feito que certamente não comoveu a maior indústria de fumo do país, que naquele ano teve o maior lucro nominal em seus 93 anos de operação...

Estima-se que no mundo todo haja atualmente 1,1 bilhão de fumantes, que contribuem com uma morte a cada dez segundos decorrente de alguma doença relacionada ao fumo. O consumo mundial de cigarros aproxima-se de 6 trilhões de unidades por ano, ou quase 11 milhões de cigarros por minuto. Conforme dados do Banco Mundial, o custo do fumo no mundo atinge 200 bilhões de dólares por ano, através de perdas de vidas2, gastos com saúde, diminuição de produtividade por doenças, etc. Uma curiosa estatística informa que um fumante trabalha, em média, seis dias a menos por ano que o não-fumante por conta das "paradinhas" para fumar.

Em outubro de 1994, o FDA, órgão que fiscaliza remédios e alimentos nos Estados Unidos, remeteu um relatório ao Conselho Nacional de Entorpecentes no Brasil, alertando sobre a produção em solo brasileiro de um fumo hipernicotinado, proibido nos Estados Unidos. Esse tipo de tabaco, apelidado de "Y-1", é produzido por engenharia genética e contém 2,5 vezes mais nicotina que o fumo normal, viciando portanto muito mais. Na mesma época, o ministro da Saúde brasileiro também denunciou a utilização de amônia pelos fabricantes de cigarro no tratamento das folhas de fumo. A amônia estimula a liberação de nicotina, ajudando a viciar mais rápido; é o mesmo efeito gerado pela acetona na cocaína. Aliás, o fumo age no cérebro de forma similar à cocaína, liberando a dopamina, substância associada à sensação passageira de bem-estar. Em janeiro de 1997, a agência Associated Press confirmou que o fumo Y-1 foi introduzido clandestinamente no Brasil e em outros países do Terceiro Mundo durante a década passada.

O FDA elaborou ainda um estudo classificando a nicotina como droga e reconhecendo que o cigarro causa dependência. Apesar dessas conclusões óbvias, o estudo deixou apreensiva a poderosa indústria de tabaco norte-americana, que movimenta no país anualmente cerca de 45 bilhões de dólares. A razão é que caso esse conceito fosse transformado em lei, a venda de cigarros seria controlada como qualquer outra droga vendida ao público. Ainda mais porque se descobriu que um grande fabricante americano de cigarros também estava utilizando amônia para "turbinar" o fumo e escapar dos equipamentos do governo que medem os índices de alcatrão e nicotina.

Atualmente sabe-se que a fumaça do tabaco possui mais de 4.700 substâncias tóxicas3, 50 das quais comprovadamente cancerígenas, como o polônio — um elemento radioativo — o arsênio, o níquel, o cádmio, o benzopireno (substância derivada do petróleo e altamente cancerígena, que sempre aparece na queima do papel do cigarro). Apenas para que o papel queime de maneira uniforme e a cinza não se fragmente são adicionados ao cigarro mais doze tipos de venenos químicos. Para se conseguir um cigarro "light", com baixo teor de nicotina e alcatrão, é necessário adicionar outros dez tipos de substâncias tóxicas. A cada tragada o fumante leva para dentro do corpo também amônia (utilizada como desinfetante), benzeno (utilizado na fabricação de DDT), acetona (solvente), formol (líquido conservante) e milhares de outros gases tóxicos e partículas em suspensão.  Além disso, como a planta do fumo é muito suscetível ao ataque de várias pragas, são utilizados potentes agrotóxicos na lavoura, que acabam por enriquecer o coquetel de veneno de que o fumante se serve cada vez que acende um cigarro.

A mais grave das doenças provocadas pelo cigarro é certamente o câncer de pulmão. Em agosto de 1995, cientistas americanos identificaram mudanças genéticas no tecido do pulmão relacionadas ao hábito de fumar, capazes de conduzir ao desenvolvimento de um futuro câncer. Analisando o DNA das lesões, eles descobriram uma supressão em genes que já haviam sido relacionados ao câncer do pulmão. Era a comprovação científica da relação cigarro-câncer. Segundo esses pesquisadores, as lesões pré-cancerosas no trato respiratório aumentam na mesma proporção do número de cigarros fumados. Em outubro de 1996, os pesquisadores americanos explicaram em detalhes, pela primeira vez, o mecanismo molecular que faz uma substância presente no cigarro provocar tumores malignos no pulmão. Em 1997, o câncer de pulmão atribuído ao cigarro já era a principal causa de morte de mulheres americanas que contraíam câncer.

Um estudo publicado pela revista Saúde Pública apresentou uma estatística estarrecedora. Entre o início da década de 60 e meados dos anos 80, o índice de mortes por câncer de pulmão nos Estados Unidos entre mulheres fumantes aumentou 500%, e entre homens fumantes 200%. Isso, apesar do atual predomínio naquele país dos cigarros de "baixos teores". No Brasil, um hospital especializado em câncer estima que 94% dos pacientes que passam pelo departamento de cirurgia torácica têm câncer no pulmão por conta do fumo.

Durante o 9º Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, esses percentuais sobre câncer do pulmão foram confirmados pelo especialista canadense, Dr. Luís Louhani. Segundo o médico, de cada cem pacientes que descobrem estar com câncer de pulmão no mundo, 95 são fumantes. Desses, 80% têm o diagnóstico em estágio avançado da doença, disseminada pelo corpo no processo metastático4, não podendo mais ser submetidos a cirurgias por causa do tamanho e da gravidade dos tumores, acabando por morrer da doença. A revista O Atalaia estima que a probabilidade de um fumante morrer de câncer pulmonar é 700% maior do que a de uma pessoa que nunca tenha fumado... Uma matéria publicada no Journal of the National Cancer Institute revelou que começar a fumar cedo pode provocar danos genéticos que facilitam ainda mais a instalação de câncer. Estudo comparando pacientes com câncer de pulmão, ex-fumantes, revelou: quem começou a fumar antes dos 15 anos apresenta o dobro de mutações genéticas em relação aos que começaram após os 20 anos. O autor do trabalho, John Wiencke, da Universidade da Califórnia, afirma: “O fumo em adolescentes causa danos que o organismo não consegue reparar, mesmo que a pessoa largue o cigarro.”

Uma matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em dezembro de 1998, revelou que a incidência de câncer de pulmão entre as mulheres no Estado de Nova York tinha aumentado 40% nos últimos 20 anos. O fato, segundo especialistas do departamento norte-americano de Saúde, deve-se ao contingente feminino que teria começado a fumar durante a Segunda Guerra Mundial. Entre 1976 e 1995, de acordo com estatísticas do Departamento Estadual de Saúde, o número de mulheres em Nova York que morreram em conseqüência de câncer de pulmão passou de 19,8 por 100 mil para 32,4 por 100 mil, um crescimento de 164%.

Mas nem só de câncer de pulmão vivem os fumantes. Segundo a revista O Atalaia, o câncer no estômago, que pode assemelhar-se inicialmente a uma úlcera péptica, ocorre duas vezes mais freqüentemente em fumantes do que em não fumantes. O câncer de garganta, produzido pelo efeito irritante de agentes químicos na fumaça do cigarro, muitas vezes deixa suas vítimas destituídas de cordas vocais, após cirurgia corretiva; a pessoa vitimada pode a muito custo reaprender a falar regurgitando o ar inspirado. O hábito de fumar responde por 80% dos tumores cancerosos nas cordas vocais.

Recentemente, cientistas ingleses publicaram no The British Medical Journal o mais completo estudo sobre enfarte já realizado, abrangendo um total de 46 mil pessoas. Segundo os pesquisadores, fumantes da faixa dos 30 a 40 anos sofrem cinco vezes mais ataques cardíacos do que os não fumantes na mesma faixa etária, o dobro do que se acreditava até então. O estudo mostra que quando um fumante dessa faixa etária tem um ataque cardíaco, há 80% de chance de o cigarro ter sido a causa... Segundo a revista O Atalaia, a probabilidade de que um fumante morra de doença cardíaca é 103% maior do que a de alguém que jamais haja fumado em base regular. Em novembro de 1998, pesquisadores suecos demonstraram que, ao contrário do que se supunha, o hábito de fumar ou de mascar fumo faz aumentar e não diminuir a pressão arterial.

Os mais insuspeitos problemas de saúde estão relacionados ao hábito de fumar, comprovados através dos últimos estudos e descobertas. O fumo enrijece a aorta, duplica a chance de perda dos dentes, retarda o desenvolvimento de dentes permanentes em crianças expostas à fumaça, quase triplica a possibilidade da ocorrência de um determinado tipo de cegueira, provoca danos nos ossos, favorece o surgimento de úlceras, provoca rugas e queda de cabelo, deixa o cabelo branco mais cedo, e nas mulheres acelera a menopausa e aumenta o risco de fratura do quadril, devido à redução do fluxo sanguíneo nos ossos. O Dr. Malcolm Law, da Escola Real de Medicina de Londres, afirmou que "fumar é a maior causa de fratura do quadril."

De acordo com uma reportagem publicada na revista Época de abril de 1999, os seguintes males estão comprovadamente associados ao cigarro:

As pessoas fumantes com idade mais avançada podem perder com mais facilidade a capacidade de pensar, perceber e lembrar, do que aquelas que deixaram o vício ou nunca fumaram, informou uma pesquisa feita pela Universidade Erasmo de Rotterdan, na Holanda. Essa perda poderia estar relacionada à ocorrência de pequenas síncopes, que não são sentidas, explicou a coordenadora do estudo, Laura Launer. 

Um estudo feito com 4.753 adultos entre 48 e 97 anos revelou que os fumantes têm chances 70% maiores de ficar surdos. Segundo a pesquisa, publicada no Journal of the American Medical Association, o problema afetaria também os parentes que convivem com os fumantes. Presume-se que o fumo afeta células do ouvido responsáveis pela audição.

Num encontro sobre a chamada "síndrome do mal-de-berço", ocorrido na França em abril de 1998, pesquisadores informaram que a fumaça de cigarro e temperaturas elevadas no quarto do recém-nascido aumentam as chances de morte súbita de bebês entre 4 e 6 meses durante o sono.

Segundo um estudo feito em outubro de 1998 no Lawrence Livermore National Laboratory, na Califórnia, jovens fumantes adolescentes do sexo masculino correm mais risco de sofrer problemas na produção de esperma, que mais tarde poderão causar anomalias genéticas nos seus filhos. A pesquisa, realizada com esperma coletado de jovens da República Tcheca, mostrou mudanças significativas no cromossomo de fumantes – com a média de dois maços diários de cigarros – e também consumidores de álcool. Os danos celulares dos fumantes incluem duplicações anormais dos cromossomos que as crianças herdam dos pais.

Um estudo realizado em fins de 1999 por Universidades da Austrália adverte que o fumo pode levar à cegueira e é responsável por 20% dos casos de perda de visão registrados em pessoas com mais de 50 anos. Ao analisarem registros médicos, pesquisadores das Universidades Nacional da Austrália e de Sydney, descobriram que o fumo é o maior fator de risco na degeneração macular relacionada à idade, principal causa de cegueira. Segundo os autores do estudo, publicado no Australian Journal of Medicine, “o fumo é responsável por cerca de 20% de todos os casos de cegueira nos australianos com mais de 50 anos.”

Hoje em dia observa-se em todo o mundo uma reação crescente contra o fumo e os fumantes em geral. Quem se convence dos malefícios do cigarro não quer mais ter a saúde ameaçada por ser um fumante passivo compulsório. Ainda mais quando se sabe que 40% dos casos de câncer do pulmão em não-fumantes deve-se ao fumo passivo. De acordo com um pesquisador americano, a quantidade de alcatrão despejada no ar pela fumaça dos cigarros de baixos teores é 30% mais rica em poluentes que a dos cigarros comuns, causando portanto mais danos ainda ao fumante passivo. A explicação é que como o filtro dos cigarros "light" impede a passagem do alcatrão, a substância se concentra na brasa e a fumaça acaba ficando mais venenosa.

Aliás, a esperança de que os cigarros de "baixos teores" fossem menos maléficos, não resistiu aos primeiros estudos feitos a respeito. De acordo com a Sociedade Americana do Câncer, a fumaça de baixo teor fez crescer muito (aumento de 142% nos fumantes) o número de vítimas de uma variedade de neoplasia (câncer), o adenocarcinoma, que ataca as células secretoras de muco dos brônquios e da periferia dos pulmões.

A forte vontade interior dos não fumantes em dar um basta nessa absurda situação de inalantes compulsórios de fumaça, não fica sem efeitos na matéria mais fina, no assim chamado mundo do além. Lá tomam forma configurações geradas pelos pensamentos e pela vontade intuitiva dos seres humanos inconformados com o hábito de fumar. Essas configurações influenciam ainda outras pessoas que, por sua vez, geram novas configurações e assim por diante. Um dos efeitos na matéria grosseira visível de toda essa influência crescente é o aparecimento de leis que restringem cada vez mais a "liberdade" do fumante, o incremento das campanhas anti-tabagistas, o aparecimento de métodos e produtos para se deixar de fumar, etc.

Por outro lado, as descobertas sobre os males causados pelo fumo passivo fornecem cada vez mais munição contra essa inconcebível arrogância de fumar. Um estudo realizado pela Universidade de Harvard em maio de 1997 mostrou que a chance de desenvolver problemas cardíacos é 91% maior em não fumantes expostos à fumaça de cigarros. Outros estudos mostram que fumantes passivos sofrem de hipertensão, alergias, infecções respiratórias, aterosclerose e morrem duas vezes mais de câncer de pulmão do que as pessoas que não têm de conviver com fumantes.

Em apenas meia hora, uma sala com fumaça de cigarro pode enfraquecer as defesas dos não-fumantes contra doenças do coração, segundo os resultados de um estudo publicado em maio de 1998 no jornal Circulation, da Associação Americana de Cardiologia. Constatou-se que os fumantes passivos perderam suas reservas antioxidantes. Essas substâncias neutralizam alguns radicais livres (moléculas que se encontram na fumaça do tabaco), os quais podem combinar-se com o colesterol existente no sangue e oxidá-lo. O colesterol fixa-se nas paredes dos vasos sangüíneos, criando coágulos que provocam ataques cardíacos ou congestões cerebrais.

Um estudo elaborado pela Universidade de Auckland, Nova Zelândia, em agosto de 1999, demonstrou que fumantes passivos têm 82% a mais de chance de sofrer um derrame do que os que não têm contato com a fumaça do cigarro. Uma investigação realizada pelo Dr. William P. Bennett do National Medical Center de Los Angeles, em dezembro de 1999, indicou que algumas mulheres não-fumantes apresentam risco seis vezes maior de contrair câncer de pulmão pelo simples fato de terem de conviver com fumantes.

O fumo também está associado à redução do desenvolvimento dos pulmões das crianças, tornando-as possivelmente mais suscetíveis a doenças pulmonares. Em setembro de 1998, pesquisadores suecos descobriram que os riscos de a criança vir a apresentar problemas de linguagem e déficit de atenção simplesmente dobram se a mãe fumou na gravidez.

Quanta desgraça o ser humano não atrai ao inalar essa fumaça venenosa, e no entanto os benefícios advindos ao se deixar de fumar são patentes. Conforme uma matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 20 de novembro de 1998, os resultados são sensíveis. Após 20 minutos, a pressão sangüínea e o pulso voltam ao normal e a circulação melhora. Em 8 horas, o nível de oxigênio no sangue volta ao normal. Em 24 horas, o monóxido de carbono sai do organismo e os pulmões começam a eliminar as impurezas. Depois de 72 horas, a respiração se torna mais fácil e a disposição geral aumenta. Entre 2 a 12 semanas, a circulação melhora em todo o organismo, tornado mais fácil caminhar. Entre 3 a 9 meses, a função pulmonar melhora de 5 a 10%. Com 5 anos, o risco de enfarte cai pela metade. Após 10 anos, o risco de câncer e problemas cardíacos iguala-se ao do não fumante.

Esses dados se aproximam de um estudo semelhante realizado pela Sociedade Americana do Câncer. De acordo com esse estudo, se uma pessoa abandonasse o vício num determinado dia de janeiro de 1999:

Entre os fumantes há também quem justifique o seu hábito mencionando velhinhos octogenários que fumaram a vida toda, desde a infância ou adolescência, e que continuam aparentemente gozando de boa saúde. Esses casos isolados, porém, não servem de contraprova aos malefícios do fumo. Muito pelo contrário. Tais casos, entusiasticamente alardeados, são tão raros, que justamente por isso é que viram notícia. Deveriam chamar a atenção exatamente por serem raros. Realmente é de se admirar que ainda haja quem se impressione com isso.

Alguns organismos são mais resistentes do que outros e conseguem suportar por mais tempo o ataque da fumaça do tabaco, principalmente se a pessoa tem outros hábitos de vida que podem ser considerados como saudáveis, como a movimentação do corpo e a alimentação correta. Se uma pessoa que fumou durante décadas morre em idade avançada, não significa que não tenha prejudicado o seu corpo e principalmente a sua alma enquanto vivia na Terra; provavelmente padeceu de várias doenças de que poderia ter ficado livre caso não tivesse esse vício. Além do mais, quem fuma comete um crime contra o Amor do Criador, ao contribuir para envenenar o ar de que todas as criaturas necessitam para viver.

Álcool

Assim como o cigarro, o álcool também causa dependência, apesar de ser uma droga aceita socialmente. A diferença é que, ao contrário do fumo, o álcool só se torna danoso quando consumido em excesso, e prejudica apenas o alcoólatra. Naturalmente, as pessoas que convivem com um alcoólatra também sofrem indiretamente com os efeitos do vício, mas não com o álcool propriamente.

Se uma pessoa tem os sentidos alterados pelo consumo de uma droga, seja maconha, heroína, cocaína, LSD ou álcool, seu modo de viver já se torna contrário às Leis naturais, e ela terá de arcar com as conseqüências de sua atitude de afronta a essas Leis.

A palavra alcoolismo foi cunhada pelo médico sueco Magnus Huss em 1849, para definir o conjunto de males vinculados ao consumo excessivo e prolongado de bebidas. Os dados estatísticos sobre os males que acompanham o vício da droga álcool não são menos significativos que os do fumo.

A Organização Mundial da Saúde considera o alcoolismo uma das doenças que mais matam no mundo. Em meados da década de 80, a Organização chegou à conclusão que em três países europeus, França, Inglaterra e País de Gales, o consumo de álcool e as psicopatias alcoólicas aumentaram vinte vezes em 25 anos. Na ex-Iugoslávia, 50% dos homens admitidos em hospitais psiquiátricos tinham a origem de seus males centrada no consumo de álcool. Na já distante década de 70, o governo dos Estados Unidos estimava que o alcoolismo causava um prejuízo anual ao país nunca inferior a 30 bilhões de dólares. E uma pesquisa recente indica que de cada quatro suicidas americanos, um era alcoólatra. Estima-se também que o álcool seja responsável por 100 mil mortes anuais evitáveis nos Estados Unidos, 17 mil das quais relacionadas a acidentes de trânsito.

No Brasil, há quem afirme que o alcoolismo desperdiça ou consome mais recursos do que a totalidade das importações brasileiras ou todo o orçamento da Previdência Social. O suicídio é 58 vezes mais freqüente em alcoólatras do que no resto da população, e entre 30% a 40% dos acidentes de trabalho são devidos ao alcoolismo. Em 1989, 14% dos jovens brasileiros entre 10 e 18 anos ingeriam bebida alcoólica mais de seis vezes por mês; em 1996 esse percentual subiu para 19%. De 1989 a 1993, o número de jovens que fazia uso pesado do álcool (vinte vezes ou mais por mês) havia crescido 50%. No domingo, dia do auge etílico semanal no Brasil, cambaleiam pelo país de 12 a 15 milhões de bêbedos. Estima-se que 9% das mulheres e 15% dos homens no país sejam alcoólatras. O Dr. Luiz Carazzai, estudioso de dependências químicas, informa que mais da metade dos acidentes de trânsito no país estão relacionados ao consumo de álcool, causa também de 87% dos casos de agressão registrados nas delegacias da mulher.

De acordo com a tese de doutorado da psiquiatra Magda Vaissman, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o alcoolismo é a terceira causa de aposentadoria por invalidez, na instituição. O álcool é responsável por metade dos internamentos em clínicas psiquiátricas e por 90% do total de internamentos por problemas de droga (grifo meu).

Em relação aos acidentes automobilísticos não é novidade que álcool e volante formam uma combinação fatal, mas os números impressionam. O Instituto Raid analisou o sangue de 1.114 vítimas de acidentes automobilísticos e verificou a presença de álcool em 61% dos casos. A maioria dos acidentes ocorreu em fins de semana. Entre vítimas de 13 e 17 anos - grupo que não deveria beber - 47,7% haviam consumido álcool.

De acordo com a revista O Atalaia, as estatísticas indicam que o uso do álcool causa pelo menos 1 em cada 5 acidentes automobilísticos. Cerca de 30% dos pedestres que morrem acidentalmente, estão sob a influência do álcool. Quase 50% das mortes por traumas acidentais, homicídios e suicídios estão diretamente relacionados com o uso do álcool.

As mulheres alcoólatras grávidas podem prejudicar de forma irreversível seus futuros filhos. O álcool cruza a barreira placentária e se distribui no líquido amniótico e em vários tecidos fetais. Num congresso de obstetrícia realizado na Espanha em 1984, uma obstetra informou que haviam nascido naquele país, no ano anterior, cerca de mil bebês com a "síndrome alcoólica fetal", quase o mesmo número de mongolóides. As crianças nascidas com esta síndrome apresentam, entre outros, os seguintes sintomas: peso e altura inferiores à média, diâmetro reduzido da cabeça, rosto assimétrico, fissuras na pálpebra, deslocamento da pélvis, anomalias cardíacas, deficiência da performance motora, retardo mental, epilepsia, hérnias… Já foram catalogadas 91 malformações relacionadas à síndrome alcoólica fetal.

O álcool ingerido em grandes quantidades dificulta também a assimilação de vitaminas pelo organismo, principalmente a B1, essencial para a saúde dos nervos. É por isso que os alcoólatras têm os nervos afetados. Muitos passam então a fumar, na tola ilusão de assim contrabalançar o seu problema de nervos. Com isso mergulham ainda mais profunda e seguramente rumo à total degradação física e anímica.

O álcool tem um efeito devastador no viciado. No alcoolismo crônico é comum a ocorrência do Delirium tremens; o alcoólatra treme pelo corpo todo, sua temperatura pode chegar acima de 40ºC e o suor é tão abundante que ele pode morrer de desidratação; a pele fica avermelhada em razão dos danos aos vasos sangüíneos sob a pele. Os nervos afetados podem causar impotência; o indivíduo também pode ficar estéril em razão dos efeitos tóxicos no esperma. O álcool ainda pode causar pressão alta, arritmia, ataques cardíacos, derrames cerebrais e danos aos músculos cardíacos. Os eletroencefalogramas de alcoólatras mostram que há um encolhimento cerebral; a destruição das células cerebrais provoca deterioração intelectual, perda de memória e demência. Também são comuns sintomas de depressão. O fígado, que converte o álcool num produto ainda mais tóxico, o acetaldeído, fica escravo da bebida e acaba negligenciando o metabolismo dos alimentos, o que leva ao acúmulo de toxinas e de gorduras no sangue. O excesso de álcool provoca ainda arteriosclerose e miocardiopatia (degeneração do músculo cardíaco), podendo também causar câncer de garganta, de esôfago e de boca. A pesquisadora Gilka Fígaro Galtas, da Faculdade de Medicina da USP, concluiu que a bebida causa de 80% a 90% dos casos de câncer de boca. Os principais danos causados nos órgãos são os seguintes:

Estudos revelam também que o uso do álcool tem um efeito definido e desfavorável em várias glândulas do corpo. Nos homens, o uso do álcool determina certa atrofia nos testículos, resultando uma redução no número de espermatozóides produzidos. Em casos extremos esta produção desaparece. Nas mulheres, revela-se um efeito semelhante nos ovários.

Que o álcool é, sim, uma droga, e muitíssimo potente, já foi demonstrado cientificamente. No livro Álcohol y Cérebro Adictivo, de 1991, os pesquisadores James Payne e Jenneth Blum demonstraram que, no cérebro, o álcool se transforma em TIQ, abreviatura de tetra-hidroisoquinolina, uma substância equivalente aos opiáceos. Como conseqüência, as bases neuroquímicas do alcoolismo e da toxicomania por opiáceos seriam similares.

Uma amostra ainda mais clara da decadência cada vez mais acentuada dos viciados em drogas é o crescimento da "dependência cruzada". Antigamente, num grupo de alcoólicos anônimos só se viam alcoólatras, e num grupo de narcóticos anônimos apenas toxicômanos. Hoje em dia não é mais assim. Há cada vez mais casos mistos de alcoolismo e dependência de drogas dos mais variados tipos, consideradas ilegais.

Este o panorama geral do consumo de fumo e álcool e suas principais conseqüências. Vamos verificar agora a situação das outras drogas, as ilegais e socialmente condenáveis (por enquanto).

Inalantes

A falta de recursos não é impedimento para quem está decidido a destruir seu corpo pelo consumo de drogas.

Vários tipos de inalantes, os mais simples e baratos, são usados com esse objetivo. Podem ser solventes (gasolina, adesivos, fluido para isqueiro, acetona, cola de sapateiro, massa plástica), anestésicos (clorofórmio, lança-perfume, éter) ou aerossóis (spray para cabelos, desodorantes). Há também quem muito originalmente faça uso de um simples saco plástico, respirando dentro dele seguidas vezes, chegando até mesmo a sufocar.

Em fevereiro de 1999, cinco garotas morreram num acidente de carro nos Estados Unidos. Dentro do carro a polícia encontrou um spray chamado "Duster II", utilizado para limpar computadores. Um dos ingredientes do produto era o "difluoretano", utilizado como inalante por viciados. As moças vieram a integrar a lista de 240 mortes decorrentes de inalantes no país desde 1996, segundo a Coalizão Nacional de Prevenção a Inalantes.

Além de efeitos gravíssimos provocados no organismo, os inalantes geram dependência psíquica e tolerância. Depois de absorvidos pela mucosa pulmonar, essas substâncias são levadas para o sistema nervoso central, fígado, rins, medula óssea e cérebro, causando neste último o bloqueio da transmissão nervosa. Dentre os muitos efeitos físicos provocados pelos inalantes, os principais são: euforia, alucinações, depressão, fala arrastada, estados psicóticos e parada cardíaca com morte súbita.

Os meninos de rua que perambulam pelas grandes metrópoles brasileiras, quase todos viciados em drogas, tiveram seu "début" invariavelmente através da cola de sapateiro, um inalante barato e encontrado com facilidade. "Dá uma tonturinha legal", diz um menino de nove anos que cheira cola todos os dias. "Comida? Um sanduíche de vez em quando. Só não pode faltar dinheiro para a cola e o esmalte", diz um outro, prestando conta do que faz com a esmola diária que consegue.

Depois, quando ficam mais velhos e conseguem mais recursos, geralmente através de roubos e assaltos, eles passam para a maconha, a cocaína e o crack, nessa ordem. Isso já é rotina nas grandes cidades, mas o que vem assustando as autoridades são as idades cada vez menores desses consumidores e traficantes mirins. Em São Paulo, o coordenador do serviço SOS-Criança da prefeitura constatou: "Há algum tempo atrás os meninos começavam a se envolver com drogas aos 15 anos; hoje, nessa idade, já são experimentados traficantes." De fato, a polícia civil da cidade constatou que essas "crianças" começam a consumir drogas aos 5 anos e se tornam traficantes com 8 anos. Como se explica isso?

Conforme já dito anteriormente em relação à delinqüência juvenil, a resposta do enigma está na alma desses meninos de rua. Todos eles são espíritos muito sobrecarregados carmicamente, e particularmente com o pendor pelo vício de drogas, que certamente já trazem de uma ou várias vidas terrenas.

Como o Juízo Final produz uma aceleração de tudo, também o que estava aparentemente escondido nas almas dessas pessoas vem agora à tona, mesmo que ainda tenham na Terra o corpo de criança. Elas só conseguem um alívio passageiro de seu pendor entregando-se desenfreadamente ao vício, para o que foram evidentemente conduzidas desde o nascimento, como efeito recíproco de sua própria vontade má em outras vidas. Também aqui esses meninos de rua são os únicos responsáveis pela situação na qual se encontram, vivendo assim num ambiente de extrema miséria e de consumo compulsivo de entorpecentes. Colhem no presente o que semearam no passado.

Drogas de Farmácia

A quantidade de pessoas no mundo que estão hoje literalmente viciadas em medicamentos encontrados comumente em farmácias, como estimulantes, tranqüilizantes e sedativos, não pode ser avaliada corretamente. Também estes são viciados em drogas.

Segundo o Dr. Aiush, delegado para a América Latina do Conselho Internacional Sobre Problemas de Alcoolismo e Toxicomania, o vício começa com analgésicos, tranqüilizantes e sedativos. "Já desde tenra idade a criança, e mais tarde o adolescente, vai aprendendo, ainda que inconscientemente, que a cada mal orgânico corresponde uma ou mais drogas para suplantar esse mal.", afirma ele.

Longe de serem inócuas, essas drogas geram igualmente dependência física e psíquica e síndrome de abstinência, devendo ser, portanto, classificadas também como "drogas pesadas". O sedativo metaqualona, por exemplo, foi desenvolvido em 1951 como uma substância para combate à malária; hoje ele é vulgarmente conhecido como "droga do amor" ou "heroína dos amantes"… Atualmente há no mercado pelo menos nove tipos de sedativos consumidos largamente como tóxicos, classificados como barbitúricos ou não-barbitúricos.

Nos Estados Unidos, supermercados e drogarias lutam para manter suas prateleiras estocadas com cápsulas, gotas e saquinhos de chá de "Kava", uma espécie de raiz originária da Polinésia que, acredita-se, possui propriedades sedativas. As vendas de Kava saltaram de quantidades irrisórias para US$ 3 milhões em 1997 e acreditava-se que o consumo dobraria no ano seguinte. “Acho a Kava o máximo. É um excelente sonífero”, afirma Hyla Cass, psiquiatra da Universidade da Califórnia e uma das autoras do livro “Kava: Nature’s Answer to Stress, Anxiety and Insomnia” (Kava: Resposta Natural Contra o Stress, a Ansiedade e a Insônia). O exato mecanismo de ação da Kava ainda é desconhecido. Sabe-se que seu ingrediente ativo é uma substância da classe das kavalactonas, metabólicos que afetam o sistema límbico, o centro emocional do cérebro. Segundo Cass, a Kava atua nos mesmos pontos de aminoácidos que o valium, mas enquanto este se associa aos chamados "receptores Gaba", a Kava provoca uma maior produção desses receptores.

É deplorável que uma psiquiatra estimule dessa forma o consumo de uma substância sedativa.

Uma das drogas de farmácia mais procurada é a anfetamina. A anfetamina pertence a um grupo de drogas classificado como “estimulantes”. Como sugere o termo “estimulante”, trata-se de substância que altera a mente do usuário e excita o sistema nervoso central.

A anfetamina original foi a  Benzedrina, sintetizada na Alemanha em 1887. De 1932 até 1946, os farmacêuticos relacionaram nada menos que 39 usos para anfetaminas, dentre eles tratamento de esquizofrenia, bloqueio coronário, paralisia cerebral infantil, doenças da radiação, hipotensão, indisposição durante viagens e soluço persistente. Entre outros efeitos, as anfetaminas interferem com os efeitos de uma classe de neurotransmissores chamada catecolamina (que inclui a dopamina e a norepinefrina). O resultado é que o corpo fica em estado de excitação, pronto para reagir a uma emergência, mesmo que não exista emergência.

As anfetaminas provocam um aumento da freqüência da respiração, depressão do apetite, perda de peso corporal, desnutrição, deficiências vitamínicas, dilatamento da pupila, perturbação da visão, dores de cabeça, boca seca, aumento da temperatura corpórea, desordens gastrointestinais, arritmia cardíaca, hipertensão, reações de ansiedade, psicose anfetamínica, síndrome de exaustão, depressão e alucinações.

Apesar de proibida no Brasil desde 1994, a associação de tranqüilizantes com anfetaminas continua sendo receitada e consumida largamente no país, principalmente em remédios para inibir o apetite. Essa associação causa uma fortíssima dependência física e psíquica, o que, no entanto, parece não preocupar muitos médicos, como um endocrinologista brasileiro que em setembro de 1995 teve o desplante de declarar o seguinte: "Até que é bom os remédios causarem dependência, pois as pessoas tomam a vida toda e não engordam mais…" São médicos dessa estirpe que contribuem para que o Brasil consuma cerca de 23,6 toneladas por ano de anfetaminas (dados de 1992).

Na Holanda, onde vimos que a legislação sobre o uso de maconha e haxixe é flexível, as anfetaminas receitadas para regimes de emagrecimento foram retiradas do mercada há anos. Essas drogas produzem taquicardia, aumento da pressão arterial e levam muitos usuários à esquizofrenia. Apesar das restrições ao consumo, cerca de 30 milhões de pessoas no mundo são consumidoras regulares de anfetaminas, segundo um informe da ONU publicado em Junho de 1997.

No Brasil, para suportar as longas viagens pelo interior do país, praticamente sem dormir, os caminhoneiros consomem enormes quantidades de anfetaminas na forma de cartelas de comprimidos, sem marca, sem bula e sem receita médica, as chamadas "bolinhas". Uma pesquisa médica demonstrou que em 90 medicamentos oferecidos à população do país, como sendo naturais, havia anfetaminas em 74 deles. O psiquiatra paulista Pérsio Ribeiro é de opinião que o consumo de anfetaminas provoca os mesmos efeitos e conseqüências do uso da cocaína…

Além das anfetaminas, vários outros fármacos tiveram sua finalidade principal deturpada pelo consumo viciante (os dependentes químicos preferem dizer "consumo recreacional"). Uma reportagem especial do jornal O Globo, em novembro de 1998, denuncia o combustível que anda "incendiando" as noites do Rio: xaropes, colírios, anestésicos de uso veterinários, bebidas energéticas e calmantes, consumidos puros ou misturados com bebidas alcoólicas. Segundo especialistas, o efeito a longo prazo é devastador: danos irreversíveis ao cérebro e ao coração, alterações no comportamento, depressão e coma. Ao buscar o “barato” nessas substâncias, o usuário entra no atalho para o uso de drogas pesadas. Quão caro vai sair esse “barato” ele só saberá mais tarde...

Nos Estados Unidos, um relatório feito em dezembro de 1998 pelas autoridades da saúde pública, sobre o uso de drogas em Seattle e no Condado King, revela que as mortes envolvendo o uso de sedativos como Rohypnol e GHB aumentaram 63% entre 1995 e 1998.O GHB é o ácido gama-hidróxido-butílico. Usado originalmente como sedativo, em doses maiores ele causa euforia. Seus efeitos colaterais podem ir da sonolência, tontura e perda temporária da memória a um estado de coma temporário. Vendido normalmente na forma de um fluido, no Brasil tem o nome de “gaba”. Costuma ser apresentado por falsificadores como sendo ecstasy.

Independentemente das sanções terrenas a que está sujeito, o ser humano que conscientemente consome algum tipo de droga para ter alterada, em maior ou menor grau, a sua percepção do mundo, comete um crime em relação às Leis existentes na Criação. Auxílios verdadeiros só poderá encontrar quando ele mesmo se esforçar em sair do pântano em que, por vontade própria, mergulhou. Esse esforço, porém, tem de se desenvolver em seu íntimo mais profundo, e não apenas se exteriorizar como um mero desejo proveniente de vontade mental. Terapias revolucionárias em clínicas famosas de nada adiantarão se o viciado em drogas não promover, ao mesmo tempo, com todas as suas forças, a desintoxicação total da sua alma. Tal limpeza interior, porém, somente ele pode realizar em si mesmo. Ninguém mais.

DROGAS ILEGAIS

"A guerra contra as drogas acabou. As drogas venceram." Este o título de um artigo publicado no jornal The Washington Post por Patrick Murphy, ex-chefe de polícia da cidade de Nova York. Segundo Patrick, "o comércio de drogas é hoje um dos mais bem sucedidos empreendimentos, com lucros que podem chegar a US$ 150 bilhões neste ano [1995]."

Em 1996, o FBI encaminhou um relatório à Interpol informando que no ano anterior os traficantes haviam movimentado em aplicações, investimentos e lavagem de dinheiro mais de US$ 200 bilhões. Em julho de 1997, o Serviço de Controle de Doenças da ONU divulgou um relatório informando que a lavagem de dinheiro do narcotráfico havia assumido proporções capazes de desestabilizar as economias nacionais e tendia a "minar a integridade do sistema financeiro mundial". Em 1998, a estimativa era de que o tráfico movimentava um volume de US$ 300 bilhões. Naquele ano o narcotráfico controlava 60% dos negócios na capital de Myanmar (antiga Birmânia). Em 1999, de acordo com uma estimativa elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas (UNDCP), o tráfico internacional de entorpecentes já estava movimentando cerca de US$ 500 bilhões por ano.

Há que se considerar que esses valores são apenas estimativas, e alguns sustentam mesmo que o montante movimentado atualmente pelo comércio de drogas já atinja a inconcebível cifra de US$ 1 trilhão por ano.

O consultor da OMS e diretor do Centro Médico Marmattan, em Paris, Dr. Claude Olivenstein, corroborou o desabafo de Patrick Murphy: "A sociedade fracassou na luta contra as drogas e é preciso encontrar uma nova estratégia contra o problema. (…) Nunca a produção foi tão importante, nem tantos países estiveram envolvidos pelo tráfico como agora, apesar de todos os programas de repressão."

Nos anos 40 o consumo de drogas era praticamente desconhecido da população ocidental. É certo que as pessoas já haviam ouvido falar de ópio, morfina e cocaína, mas o grupo de consumidores dessas drogas era reduzido. Não havia nem sinal de traficantes ou de barões da droga, tampouco de vendedores de drogas nas esquinas.

No início dos anos 60, o consumo de drogas no mundo praticamente se restringia ainda aos países desenvolvidos, resumindo-se geralmente à morfina e à heroína. Cocaína, maconha e LSD eram raridades quase desconhecidas. Com a chegada do movimento hippie esse quadro mudou drasticamente. Ser jovem era se rebelar contra os valores da época, e isto significava consumir drogas…

De lá para cá o consumo de drogas cresceu estratosfericamente em todo o planeta. Estima-se que só o comércio da cocaína movimente cerca de 100 bilhões de dólares anuais, com um crescimento de 10% a cada ano. A produção anual de cocaína na América do Sul é da ordem de mil toneladas; a quantidade apreendida não representaria mais que 1% do volume traficado. No México, o valor movimentado com as drogas supera os lucros do petróleo e o valor da dívida externa. Nos Estados Unidos, cinco mil pessoas ingressam diariamente no mundo das drogas, contribuindo para manter a pujança do comércio internacional de entorpecentes. Um relatório publicado pela ONU em setembro de 1997 estimava em 340 milhões o número de viciados em droga no mundo, mais que o dobro da população brasileira.

No Afeganistão, a milícia islâmica radical Taleban, que controla 85% do território do país, mantém sua renda e apoio político com o setor do ópio. Argumentam que papoulas não são drogas, e que o imposto não difere do cobrado, por exemplo, do trigo.

O comércio de drogas cresce descaradamente no mundo todo. A papoula eurasiana, Papaversomniferum, chegou à Ásia, vinda do Mediterrâneo, na bagagem de comerciantes árabes do século 12. Era cultivada pelas propriedades medicinais. Hoje, grassa nas economias de Myanmar, Índia, China, Paquistão, Usbequistão, Afeganistão, Laos e do norte da Tailândia. Ao fazer uma visita num dos grandes mercados do Paquistão, o chefe do escritório da ONU, Bernard Frahi, contou que, dos cerca de 500 comerciantes amontoados na rua principal e nas redondezas, quase metade vendia ópio. O Afeganistão lidera a produção mundial de ópio, com 75% da droga consumida no planeta. Lá, um quilo de heroína turca vale, no atacado, US$ 6,5 mil; quando chega à Holanda já vale US$ 35 mil e nos EUA valerá mais de US$ 75 mil para traficantes. Na Rússia, cresce a mais de 50% ao ano a demanda por heroína e anfetamina. O chamado "Triângulo Dourado do Ópio" é o mítico ponto de encontro entre Tailândia, Birmânia e Laos. De lá saem 60% da heroína vendida nos EUA. Não só o Triângulo, mas toda a Ásia vive um "boom" de ópio e heroína. No Vietnã, 75% dos mais de 200 mil viciados fumam ópio. A heroína faz de Saigon, à noite, um mar de seringas. O orçamento do Comitê de Controle de Drogas é de US$ 3 milhões anuais, o equivalente a três semanas de tráfico de heroína na capital.

A indústria do ópio e da heroína diversificou-se - com sucesso - para produzir anfetamina. Praticamente todo mês a polícia tailandesa apreende quantidades enormes de anfetamina. O negócio extravasou para o Vietnã, identificado pelos traficantes como o melhor pontode trânsito e destinação final de heroína.

Apesar de toda a repressão e campanhas de esclarecimento, o consumo de drogas cresce, pois, imperturbavelmente em todo o mundo. Percebendo ser uma luta vã, o governo da Suíça tentou inovar em 1992, ao liberar o consumo de tóxicos num local predeterminado, uma estação de trens desativada, localizada a um quilômetro do centro da capital, Zurique. O mundo todo passou a testemunhar, ao vivo, cenas até então exclusivas do dia-a-dia dos viciados. Os "junkies", como eram chamados, se drogavam estendidos num chão coberto de lixo, sangue, seringas usadas, chumaços de algodão, restos de comida e excrementos. Quando eles não conseguiam mais injetar as drogas nos braços e nas mãos, procuravam alguma veia em qualquer outra parte do corpo: no pescoço, nas pernas, nas axilas e até na língua. Essas imagens serviram, ao menos, para mostrar até onde as pessoas podem cair moralmente, até o ponto de eliminarem de si qualquer resquício de dignidade humana.

Em fevereiro de 1995 o governo suíço finalmente proibiu o espetáculo degradante. Os viciados se dirigiram então a um local alternativo: apartamentos comprados para esse fim pelos próprios traficantes...

A solução para esse novo problema? Máquinas de fornecimento automático de drogas, controladas por computador e pagas pelo contribuinte suíço. Isso mesmo! Os junkies entram numa casa discreta, sem placa na porta, e recebem do computador sua ração diária de heroína. A máquina conhece os dados pessoais da "clientela", os hábitos de consumo e a dosagem máxima para cada caso. Nas palavras da gerente do local, "nossos pacientes sabem que podem contar com a droga e vivem com maior dignidade..." E para ratificar a solução encontrada, os suíços aprovaram num plebiscito, por esmagadora maioria (71%), a prática governamental de distribuição de doses de heroína aos viciados...

No fim de outubro de 98, a Suíça rejeitou a proposta de legalização da compra de drogas no país. O projeto, se aprovado, teria feito da Suíça o único país do mundo em que maiores de 18 anos poderiam comprar qualquer tipo de droga. Seus defensores sustentavam que a medida eliminaria a máfia do país...

Escaldada, a Suíça rejeitou o que seria uma renovada estupidez na tentativa de controlar o consumo de drogas no país. Menos inteligente foi a atitude do procurador-geral da República da Itália, Ferdinando Zucconi Galli Fonseca, que na abertura do ano judiciário italiano de 1998 tomou posição favorável à "administração controlada de drogas psicotrópicas."

Na Holanda, em novembro de 1999, o Ministério da Saúde estendeu a distribuição de heroína aos dependentes de drogas mais pesadas, após ter concluído um plano piloto de três meses que teve sua "eficácia comprovada". Na primeira fase do "experimento revolucionário", 24 dependentes em Amsterdã e 21 de Roterdan receberam doses da droga. Segundo o órgão, nessa primeira fase não houve efeitos colaterais em termos de ordem pública, criminalidade e segurança médica... A próxima fase incluirá 750 viciados do país. Tamanha estultice, é bom frisar, ocorreu na Holanda, um país de alto nível de desenvolvimento...

No Brasil ainda não avançamos tanto, mas estamos progredindo. Em março de 1998, a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo começou a distribuir um kit para drogados, na tentativa de conter o avanço da AIDS entre os usuários de drogas injetáveis. Além da seringa, o kit trazia um pequeno tubo com água destilada para diluir a cocaína, um recipiente apropriado para a mistura e lenços anti-sépticos, destinados à limpeza dos sangramentos.

Resultados da última pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, Cebrid, indicam que a droga é hoje uma ameaça onipresente. O estudo aponta que um quarto dos estudantes brasileiros com idade entre 10 e 18 anos já provou alguma droga ilegal. Na Universidade de São Paulo, uma das melhores e mais disputadas do país, com clientela ultra-seleta, outra enquete revelou que um em de cada três estudantes já fumou um cigarro de maconha. Diariamente, no Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas consomem algum tipo de psicotrópico.

Segundo um estudo do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 86% no grupo de dependentes graves responderam que a procura pelo prazer era a principal razão de terem experimentado a droga. "Procura pelo prazer" é um eufemismo que deve ser traduzido mais adequadamente por falta de caráter e fraqueza moral.

Como já anteriormente esclarecido, um dos mais infalíveis sinais da decadência irrefreável da humanidade é a modificação dos conceitos. Coisas que há poucos anos causavam justificada repulsa acabam, com o tempo, sendo aceitas como normais. Isso vale para tudo: no modo despudorado de se vestir, na proliferação epidêmica de filmes e revistas pornográficas, no uso do linguajar chulo, na quantidade e intensidade de crimes de uma maneira geral e, também, como não poderia deixar de ser, em relação ao consumo de drogas.

Hoje em dia, as notícias sobre consumo e apreensão de drogas mal produzem um bocejo em quem ainda se dá ao trabalho de acompanhá-las. Passou a ser algo corriqueiro, parte da vida moderna. No Brasil, alguns bailes da periferia da cidade do Rio de Janeiro são patrocinados abertamente pelos traficantes. Segundo revelou o general Alberto Cardoso, chefe da Casa Militar da Presidência, um estudo encomendado pelo governo brasileiro demonstrou que 80% dos crimes urbanos cometidos no Brasil têm alguma relação com a droga. Na Colômbia, o presidente do país foi acusado de ter tido a candidatura financiada pelo narcotráfico, e uma pesquisa do Instituto Gallup mostrou que 66% dos colombianos achavam que o fato não era razão para escândalo... Aliás, o Cartel de Medellín, na década de 80, trouxe à Colômbia mais dólares do que o total investido legalmente no país naquele período...

Somente em junho de 1999, os representantes de 186 países, reunidos em Nova York na sessão especial da Assembléia-Geral das Nações Unidas sobre o Problema Mundial das Drogas, inauguraram uma fase realmente nova no campo do controle internacional de drogas. Pela primeira vez se chegava ao consenso de que as estratégias para a diminuição da demanda por drogas tinham a mesma importância que as de redução da oferta.

Vejamos agora como se dá o surgimento e o consumo das drogas ainda consideradas ilegais e os seus efeitos no ser humano, uma vez que das "legais" já falamos. Digo propositadamente ainda consideradas ilegais, porque já há campanhas para a descriminação do uso de algumas delas, principalmente a maconha. Há, inclusive, quem defenda uma legalização ampla de todas as drogas. Um psiquiatra desses mais avançados apresentou os seguintes argumentos nesse sentido: "A humanidade sempre consumiu drogas e é preciso abrir o debate sobre sua legalização. (…) O uso recreacional não é perigoso para nenhuma droga. (…) Na verdade a droga é algo bom. Se não fosse, seria fácil largar."

Já vimos até aqui vários casos em que os conceitos do que é certo e do que é errado foram se toldando irresistivelmente com o passar dos anos, de modo que não há necessidade de nos determos na análise de mais este exemplo. Mesmo porque seria um esforço sobre humano encontrar adjetivos adequados para qualificar apropriadamente a opinião desse "psiquiatra".

Aos que defendem a legalização das drogas em razão da ineficácia das políticas de combate ao tráfico, responde o chefe de polícia de Estocolmo: "Que se legalizem então os roubos a bancos, visto o baixo índice de êxito da polícia contra esse delito."

Maconha e derivados

A maconha é de longe a droga ilegal mais consumida no mundo. Em junho de 1997, a ONU estimava em 140 milhões os consumidores de maconha no planeta, cerca de 2,5% da população da Terra. E avisava que este número deveria aumentar, pois "o uso vem crescendo dramaticamente nos últimos anos."

Um comitê do Congresso dos Estados Unidos calculou, na década de 80, que os americanos fumavam todos os anos 8.750 toneladas de maconha. O órgão federal que combate as drogas no país calcula que houve um aumento de 30% no consumo da droga apenas nos anos de 1994 e 1995. Até 1970 não havia um só pé de maconha nos Estados Unidos; no início de 1996 a erva já era o principal produto agrícola americano, com um movimento anual de US$ 32 bilhões, seguida à distância pela produção de milho, com US$ 14 bilhões… Em 1992, 4% da população americana era usuária da droga.

O Brasil passou de importador para exportador de maconha em 1998. No início daquele ano, a maconha já era o principal produto da economia de algumas cidades localizadas no "polígono da maconha", no nordeste do país.

O consumo da droga já não é considerado crime na Holanda, Suécia, Canadá e algumas regiões dos Estados Unidos. Na Rússia, uma lei aprovada recentemente, legaliza o "tráfico em pequena escala" da maconha. Na Holanda, que se decidiu pela descriminação há mais de 25 anos, existem cerca de dois mil pontos de venda legal de maconha. Um detalhe: 50% dos presídios do país são ocupados por autores de crimes relacionados com a droga. Na Espanha, em 1997, aconteceu a "Copa da Maconha", em que 50 "agricultores" se reuniram para provar suas colheitas e eleger a melhor maconha do país, com o objetivo manifesto era pressionar o governo pela legalização.

Nos Estados Unidos há até uma revista especializada no cultivo e preparo da maconha, com um número estimado de 1 milhão e 600 mil leitores por mês, segundo o editor. O sucesso é tão grande que a publicação promove anualmente, na Holanda, um gigantesco "festival da maconha"… Esse sucesso também pode ser avaliado pelo gráfico abaixo, que mostra o crescimento do consumo de maconha na primeira metade da década de 90 por jovens americanos na faixa de 12 a 17 anos, de acordo com dados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos:

O imperador chinês Shen Nung reconheceu as propriedades alucinógenas da Cannabis quando a recomendou como medicamento. Dois dos primeiros nomes em chinês da maconha – “libertados do pecado” e “fornecedor de encantos” – já denotavam a potencialidade dos seus efeitos inebriantes. Com a disseminação do conhecimento de que o uso da maconha levava o usuário a “ver espíritos”, os chineses passaram a usar Cannabis para – como afirmavam – “desfrutar a vida.” A oeste da China, as tribos bárbaras da Ásia foram as responsáveis pela popularização da maconha como droga recreativa.

A droga é obtida de folhas e flores secas do cânhamo indiano, e apresenta cerca de 60 substâncias psicotrópicas solúveis na corrente sangüínea, sendo a mais importante delas  o tetraidrocanabitol, conhecido como THC. Foi o israelense Raphael Mechoulan que identificou, em 1964, essa principal substância ativa da droga. Uma maconha "normal" tem um teor de cerca de 8% de THC. Existem mais de 400 outras substâncias químicas na planta, das quais muitas não se conhece ainda os efeitos.

Um dos mais claros efeitos da droga é a redução da capacidade de concentração. Em vários países se constatou considerável aumento de registros de acidentes de automóveis, motos, trens e até caminhões envolvendo motoristas consumidores de maconha. Em 1985, o pesquisador G. Chester apresentou num congresso de farmacologia um estudo mostrando que "o THC é 4 mil vezes mais potente que o álcool ao produzir uma diminuição no desempenho de um motorista em condições adequadamente controladas." Em 1994, uma investigação canadense encontrou THC no sangue de 10% dos motoristas em casos de acidentes fatais e em 8% dos pedestres mortos por veículos.

Segundo o Dr. Kalina, só depois de 20, 25 e até 30 dias, é que o THC é completamente eliminado desde a última vez que foi consumido. Só a partir daí é que aparecem os sintomas da abstinência: irritabilidade, inquietação, angústia, tremores, alterações do sono e do apetite, agressividade. Observa-se então a busca frenética de uma "autogratificação" com cigarros e café.

Já se catalogou cerca de 50 efeitos relacionados ao consumo da maconha. Alguns deles: tremor corporal, vertigem, náuseas, vômitos, taquicardia, excitação psíquica, diarréia, alterações sensoriais, lentidão de raciocínio, oscilação involuntária dos olhos, zumbidos, desorientação, medo de morrer, depressão, alucinações, amnésia temporária, pânico, idéias paranóides… O uso constante causa problemas respiratórios e, em homens, reduz o número de espermatozóides. Um estudo aprofundado de cinco anos (1992 a 1997) feito pela OMS mostrou que a substância interfere na memória de curto prazo, reduz sensivelmente a capacidade de aprender e de raciocinar, causa lesões na traquéia, nos brônquios e nas células de defesa, chamadas macrófagos alveolares.

Em 1995, pesquisadores americanos apresentaram um trabalho intitulado "Cérebro, Imunidade e Abuso de Substâncias Psicotóxicas". Nele afirmavam: "Nas últimas décadas demonstrou-se que o THC, assim como outras drogas de uso abusivo, pode afetar a função dos linfócitos e dos macrófagos, tanto 'in vivo' quanto 'in vitro'." Antes, em 1991, o pesquisador Donald avisava: "O impacto de uma droga de abuso, tal como a maconha, pode ter efeitos negativos no hospedeiro ao aumentar a susceptibilidade a infecções crônicas e/ou tumores." Um outro trabalho, de 1986, já afirmava que "o THC suprime a produção de interferon 'in vivo' e 'in vitro'." A redução das defesas imunológicas do viciado provocada pela maconha o torna propenso a contrair uma infecção por fungo, o qual freqüentemente vem aderido à planta. Essa doença é a aspergilose, que se manifesta através de febre, calafrios e choque, podendo gerar abscessos no cérebro, rins, baço, fígado, coração e tiróide.

Estudos mostram que a Cannabis pode causar câncer nos pulmões, atrapalha a memória e reduz a capacidade de abstração. Quem fuma três cigarros de maconha por dia tem a mesma chance de ter câncer no pulmão de quem fuma vinte cigarros comuns... Uma pesquisadora australiana concluiu este ano que, a longo prazo, pode provocar alterações sutis no cérebro.

De acordo com uma matéria publicada na revista IAE de junho de 1998, o uso excessivo da maconha pode provocar:

O viciado em maconha prefere passar por tudo isso ao invés de enfrentar a realidade da vida com coragem e determinação. Por isso, ele, juntamente com todos os viciados em qualquer tipo de droga que altera a percepção dos sentidos, fazem parte de um dos mais abjetos grupos de seres humanos. São fracos e covardes na mais profunda acepção desses termos. Escolhem conscientemente destruir suas almas e corpos, para não terem de fazer nenhum esforço próprio no sentido de uma melhoria interior. No fim de suas vidas, criminosamente desperdiçadas, assemelham-se a amontoados de lixo com algum movimento próprio, cambaleando, indiferentes, rumo à aniquilação física e espiritual.

Há algum tempo surgiu uma nova variedade de maconha, chamada "skunk" ou "supermaconha". O skunk é produzido em laboratório com variedades de cânhamo cultivados no Egito, Afeganistão e Marrocos, apresentando um teor de THC de até 33%. Seus efeitos são dez vezes mais potentes que os da maconha comum. No Brasil, o Departamento de Investigações sobre Narcóticos já alertou que o consumo do skunk está crescendo.

O haxixe também é obtido a partir do cânhamo, com a diferença de que utiliza a resina que cobre as flores e as folhas da parte superior da planta. É um extrato, e portanto muito mais potente que a maconha comum. O haxixe é muito consumido no Oriente, sendo que um dos principais produtores é o Líbano, onde o cultivo domina as atividades agrícolas do norte do país5. As apreensões de haxixe refinado, pronto para consumo, são cada vez mais freqüentes na Europa.

Um estudo realizado em 1994, nos Estados Unidos, demonstrou que adultos que usaram maconha quando crianças tinham 17 vezes mais chances de se tornarem usuários regulares de cocaína. Dois trabalhos publicados na revista Science, em 1997, mostravam que os efeitos produzidos no cérebro pela maconha são semelhantes aos da heroína e cocaína.

Cocaína e derivados

A cocaína é uma das substâncias extraídas das folhas da coca, o arbusto Erytroxylon coca, originário da região andina.

Em 1862 o químico Albert Niemann conseguiu produzir em laboratório, a partir da coca, um pó branco–o cloridrato de cocaína, cuja fórmula química é 2-beta-carbometoxi-3betabenzoxitropano. A partir de 1880 a cocaína passou a ser empregada como anestésico local em cirurgias do nariz e da garganta, e depois como analgésico. Empregava-se também para combater vômitos e enjôos, através de poções.

Nas últimas duas décadas do século 19, medicamentos patenteados contendo cocaína inundavam o mercado. Desde tônicos, ungüentos, supositórios, pastilhas expectorantes e até vinho com cocaína. O mais bem sucedido desses produtos foi certamente um vinho com cocaína chamado "Vin Mariani", desenvolvido por Angelo Mariani. Esta bebida tornou-se tão popular que Mariani foi agraciado com uma medalha de ouro e citado como benfeitor da humanidade pelo papa Leão XIII, também usuário freqüente desta bebida...

No início do século a cocaína ainda podia ser comprada livremente, era um medicamento como outro qualquer. Recomendava-se apenas que o doente, depois de "medicado", permanecesse deitado por algumas horas... Só foi proibida tempos depois, quando os casos de morte pelo seu abuso começaram a assustar...

Quem daqueles médicos do início do século poderia imaginar que aquela inocente substância terapêutica transformar-se-ia, algumas décadas depois, num dos maiores flagelos da humanidade?

Sigmund Freud, o fundador da psicanálise, elogiou as possibilidades da cocaína como estimulante, afrodisíaco e anestésico local. Também a classificou como droga eficaz no tratamento de desordens digestivas, doenças desgastantes (como a tuberculose e o câncer), asma, dependência de álcool e morfina. Freud a administrou a um colega, Dr. Ernest von Fleischl-Marxow, como “cura” para sua dependência de morfina. Fleischl, então, tornou-se dependente de cocaína. O médico americano, William Halsted, que descobriu a utilidade da cocaína como anestésico local, foi outro apoiador inicial entusiástico. Também ele se tornou dependente da droga...

Na década de 80 ela chegou a ser chamada de "caviar das drogas", em razão de seu consumo generalizado pelos endinheirados executivos americanos, os "yuppies". Em 1996, só nos Estados Unidos, havia 14 milhões de viciados em cocaína, que consumiam regularmente 400 toneladas da droga por ano.

Como vício a cocaína é consumida na forma de cloridrato, sendo absorvida por via oral ou nasal. Chegando à corrente sangüínea a droga começa a atuar em três neurotransmissores cerebrais: a serotonina, a norepinefrina e, principalmente, a dopamina. Conforme já esclarecido, esses neurotransmissores é que permitem que um neurônio (célula nervosa) mande uma mensagem a outro, já que eles não se tocam. Num processo normal, a dopamina leva a mensagem de um neurônio a outro e depois é reabsorvida pela célula de origem. A cocaína impede essa reabsorção, obrigando a dopamina a continuar estimulando as células nervosas, gerando uma alta estimulação neurológica que leva o nome de "euforia cocaínica", com a conseqüente exaustão das reservas de neurotransmissores6. O corpo leva de 15 minutos a uma hora para metabolizar a droga. Segundo o prof. Fuad Lechín, dirigente do Instituto de Medicina Experimental da Escola de Medicina de Caracas, a cocaína não apenas impede a reabsorção do neurotransmissor, mas também destrói ou queima os receptores pós-sinápticos.

Essa curta sensação artificial de prazer, forçada pelo excesso de dopamina no cérebro, é suficiente para escravizar centenas de milhares de pessoas. Tais seres humanos cumprem diligentemente um princípio básico da doutrina luciferiana: o de "viver até exaurir-se".

Viver até exaurir-se! Sacrificar tudo... corpo, alma e espírito em troca de alguns momentos de prazer! É possível imaginar uma atitude mais negligente, mais inconseqüente, mais estúpida do que esta?

De acordo com um estudo elaborado por dois pesquisadores no ano de 1978, o fumante de pasta de cocaína passa por quatro fases distintas no consumo da droga; isso, naturalmente, se não morrer antes de parada respiratória ou cardíaca, ou como se diz mais comumente, de "overdose":

Os sintomas da 4ª fase são comuns entre usuários de grandes doses de cocaína, e mais ainda naqueles que fazem uso da associação álcool-cocaína. O dependente faz associação com outras drogas, como o álcool e tranqüilizantes, para contrapor efeitos excessivamente estimulantes da cocaína. Nos Estados Unidos e Europa é comum a combinação com opiáceos; os viciados "sobem" com a cocaína e "baixam" com a heroína, prática essa denominada de speed boinling. A overdose geralmente ocorre na fase inicial estimulatória de toxidade, (ataques, hipertensão e taquicardia) ou na fase posterior de depressão, culminando em extrema depressão respiratória e coma.

No livro Salvar o Filho Drogado, o Dr. Flávio Rotman menciona ainda os seguintes sintomas psicóticos provocados pela droga: irritabilidade e inquietação constantes, alucinações visuais aterradoras, desconfiança de tudo e de todos, delírios, crises de medo. No geral, há pelo menos 47 sintomas ou sinais catalogados decorrentes da intoxicação por cocaína em suas várias fases…

Um dos efeitos psicológicos adversos mais comuns é a depressão crônica que se segue à euforia inicial. Outros pesquisadores catalogam ainda os seguintes sintomas ou sinais que a cocaína provoca: ansiedade, irritabilidade, violência, apatia, preguiça e letargia, comportamento compulsivo, problemas de concentração, confusão mental, problemas de memória, tremores (associados tanto com o uso quanto como o afastamento da droga), desinteresse nos relacionamentos com a família e com os amigos, extrema agitação, ataques de pânico, negligência pessoal, desconfiança de amigos, familiares, cônjuges e colegas de trabalho, estado psicótico semelhante à esquizofrenia paranóide, com delírios e alucinações.

A cocaína causa nos dependentes a diminuição da fadiga, da fome e da sensibilidade à dor. Grandes doses podem causar parada do coração e morte. Eventualmente provoca febre (devido à problemas respiratórios na inalação). É causa de infecções bacterianas do nariz e da garganta, boca seca, tosse, convulsões, tonturas, enxaquecas com diferentes graus de severidade, náusea, dores abdominais, insônia, hipertensão, hemorragia cerebral (quando a hipertensão rompe os vasos do cérebro), arritmia cardíaca, coagulações e infecções cardíacas. A longo prazo os efeitos são a dependência e lesões cerebrais. Há um adelgaçamento do córtex cerebral, devido provavelmente a uma isquemia microscópica nessa zona. As mucosas nasais ficam corroídas. A droga provoca perda de peso e alterações hormonais. Segundo o Dr. Kalina, cerca de 14% dos consumidores têm pelo menos uma crise convulsiva, independentemente da dose tomada.

Com a disseminação do uso endovenoso, existem riscos de coagulação do sangue com danos às veias, inflamação do fígado, inflamação da membrana que reveste a medula espinhal e o cérebro, alterações visuais, pupilas dilatadas, clarões de luz na visão periférica, perda do apetite, anorexia e perda de peso, padrões alternativos de prisão de ventre e diarréia, e dificuldade para urinar. Claro que a chance de contrair AIDS também é muito maior.

Há algum tempo, cientistas americanos descobriram que a cocaína danifica o cérebro ao produzir um estreitamento dos vasos sangüíneos, que pode até ser fatal. Uma pesquisa publicada na edição de agosto de 1998 do Journal of the American Medical Associationdemonstrou que a cocaína acarreta alterações imediatas na circulação cerebral. O trabalho também revelou que os pacientes tiveram aumento da pressão cardíaca e uma vasoconstrição cerebral. Além disso, constatou-se que a substância provoca falhas na memória e no processo de aprendizagem.

Um estudo conduzido por pesquisadores americanos liderados pelo médico Arthur Siegel detalhou a reação em cadeia iniciada pela cocaína a partir da corrente sangüínea e que afeta diretamente o coração. Os resultados mostraram que a cocaína afeta tanto a composição do sangue quanto os vasos por onde ele circula, aumentando os riscos de formação de coágulos. Há um aumento de 6% superior às concentrações normais. Isso significa que o sangue fica mais viscoso e circula com maior dificuldade por veias e artéria. A concentração de uma proteína conhecida como fator de Von Willebrand, ligada à coagulação sangüínea, também aumenta. A taxa supera em até 40% os índices normais num período de apenas meia hora. Essa situação persiste por quatro horas, aumentando drasticamente o risco de as plaquetas se acumularem nas paredes internas dos vasos e formarem coágulos.

“É o mesmo que praticar uma roleta-russa”, compara Siegel. “O estreitamento dos vasos carrega a arma, o espessamento do sangue coloca o gatilho em posição e o fator Willenbrand é o disparo”, diz. Como resultado dessa combinação, os riscos de uma pessoa sofrer um infarto logo após o consumo de cocaína aumenta em 24 vezes.

Cientistas de Harvard confirmam que os usuários correm risco de doenças cardíacas e derrame sempre que usam a cocaína. A descoberta foi divulgada no Archives of Internal Medicine em setembro de 1999. A droga ajuda a desencadear a formação de coágulos sangüíneos, que podem bloquear os vasos. Em fins de 1999, um estudo apresentado na Associação Americana do Coração, em Atlanta, mostrou que o consumo da substância, já relacionado a um maior risco de ataques cardíacos e enfartes, pode triplicar possibilidade de ocorrência de aneurisma - a dilatação das paredes das artérias.

Nada disso impede que o consumo continue crescendo inabalavelmente. Uma pesquisa feita em cinco cidades brasileiras em abril de 1996, mostrava que o consumo da droga estava começando cada vez mais cedo: 51% dos jovens que usavam cocaína tinham menos de 15 anos quando a experimentaram pela primeira vez. Entre 1989 e 1997, o índice de meninos e meninas com experiência no uso da droga subiu de 24,1% para 50% segundo um levantamento feito pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Dos entrevistados, 88,1% informaram ter consumido drogas pelo menos uma vez na vida e 71,7% usaram drogas nos 30 dias que antecederam a pesquisa.

Para conseguir obter a droga muitas vezes os usuários roubam e furtam, até se prostituem em troca do pó. Uma pesquisa feita pela Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas, do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina, em junho de 1998, mostra que 65% dos usuários de cocaína já venderam suas próprias coisas para comprar drogas, 39% roubaram a família, 38% já praticaram roubos e furtos e 21% fizeram assaltos armados.

A droga hoje consumida no Brasil é uma das piores do mundo. Em cada quilo de pasta-base de cocaína exportado para o país (geralmente da Bolívia), os traficantes gastam 30 litros de derivados benzênicos, 20 litros de solventes orgânicos, um quilo de substâncias oxidantes e mais 4 quilos de produtos diversos, deixando a droga com apenas 30% de pureza. A pasta-base que chega a São Paulo é misturada ainda com soda cáustica, solução de bateria de carro, água sanitária, cimento e manitol, um hormônio para engorda do gado. Além dessas substâncias, os traficantes adicionam compostos inorgânicos (sulfato de magnésio, carbonato e bicarbonato de sódio, carbonato de cálcio e ácido bórico), carboidratos, além de anestésicos, como a xilocaína, benzocaína e até produtos antitérmicos e o analgésico fenacetina. Ao adicionar enxofre e cloreto férrico os traficantes passaram a produzir a chamada cocaína amarela ou ocre. E para adquirir as cores roxa e marrom o narcotráfico mistura resina e pó-de-serra à droga.

Os dados numéricos do narcotráfico não são menos aterradores. As estatísticas policiais indicam que, atualmente (setembro de 1999), em todo o mundo, o consumo  e venda anual de cocaína chega a 6 bilhões de papelotes, o que renderia ao narcotráfico cerca de US$ 120 bilhões. Só nos Estados Unidos os usuários de cocaína eram estimados em dois milhões em setembro de 1998.

Na Colômbia, os agricultores trocaram suas plantações pela cultura da coca, e com isso a máfia lucra milhões com os campos de cultivo que servem agora para a exportação. São os colombianos os responsáveis por 80% da cocaína consumida no planeta. Em janeiro de 2000, um repórter de televisão explicou: "Em outros países o peso é dinheiro, aqui (na Colômbia) o peso é cocaína! No mercado, um refrigerante equivale a 3 gramas de cocaína."

Em fins da década de 70 surgiu nos Estados Unidos uma droga derivada da cocaína ainda muito mais poderosa e mortífera, e também muito mais barata: era o "crack". Sua popularização, porém, só se deu na década de 90. Com o aumento do número de consumidores houve uma elevação sensível nos índices de mortes de americanos com menos de 40 anos, vítimas de enfartes e derrames.

O crack é um derivado químico da pasta de cocaína, sendo oferecido na forma de pequenas pedras que são fumadas em cachimbos improvisados. Provoca intensa euforia e sensação de poder. A dependência é quase imediata: com cinco "pipadas" a pessoa já está viciada. Assim como a cocaína comum, o crack também atua bloqueando a reabsorção de um neurotransmissor, a copamina.

Para os viciados em crack a droga passa a ser literalmente tudo em suas vidas. Muitos chegam a ficar procurando pelo chão alguma pedra perdida, seja onde for, e fazem qualquer coisa para obter dinheiro e conseguir aplacar a necessidade de consumo. Começam vendendo tudo o que é seu ou de seus parentes, depois passam a roubar e se prostituir, e por fim matam se for necessário.

É esta a razão de grande parte dos crimes violentos estarem associados ao crack. De acordo com a Divisão de Homicídios da Polícia da Cidade de São Paulo, cerca de 40% dos assassinatos na capital se devem ao crack, que é também a principal causa de homicídios de crianças e adolescentes. Uma coordenadoria criada para investigar as execuções coletivas, cada vez mais freqüentes na cidade, chegou à conclusão que 56% das chacinas registradas em 1995 na cidade estavam relacionadas ao crack. Uma recente pesquisa revelou que 85% dos que aderem ao crack se envolvem com a marginalidade, enquanto que no caso de consumidores de outras drogas esse índice é de 44%.

O crescimento do consumo de crack é tão grande que adquire contornos de uma pandemia. É como se estivéssemos observando a explosão de uma bomba atômica em câmara lenta. A destruição vai avançando incontrolavelmente, sem se deter por nada, alcançando cidades e pessoas muito distantes do ponto de impacto inicial.

O psiquiatra Rubens Campos Filho diz que até o final de 1994, de cada cem de seus pacientes apenas cinco ou seis eram usuários de crack; em julho de 1995, de cada cem pessoas que o procuravam, cerca de 60 eram viciadas na droga. "Trata-se da droga com maior poder viciante já vista. Em vinte anos, não vi nada que proliferasse com tanta rapidez", diz o médico. O psiquiatra Arthur Guerra de Andrade constata: "Cada vez que recebo a ficha de um paciente e vejo que ele é jovem e dependente químico, nem sequer preciso vê-lo para saber que é crack."

O número de viciados e vendedores de crack na cidade de São Paulo triplicou em três anos. Em novembro de 1995 a droga já era encontrada em 80% dos cinco mil pontos de venda de entorpecentes conhecidos na cidade. O presidente do Conselho Federal de Entorpecentes se confessou perplexo com a explosão de consumo do crack em São Paulo e nomeou uma comissão para estudar o "fenômeno". Segundo monitores do programa SOS Criança, nada menos que 90% dos meninos de rua da cidade já haviam tido contato com a droga...

Na cidade de Ribeirão Preto, o crack representa 60% do consumo de drogas. Em todo o Estado de São Paulo já há cerca de 150 mil viciados.

Das apreensões feitas em 1995 pela Delegacia de Narcóticos e Entorpecentes da Polícia Civil da cidade de Campinas, 80% se referiam ao crack. A Associação Promocional Oração e Trabalho, entidade que dá assistência a viciados em drogas na cidade, informa que há dois anos a quase totalidade das pessoas atendidas eram viciadas em maconha e cocaína; hoje, 60% dos que chegam ali são viciados em crack.

No Estado do Rio de Janeiro, logo depois de a Secretaria de Segurança Pública assegurar que não havia consumidores de crack no Estado, foram apreendidas 1.500 pedras numa favela da Baixada Fluminense.

Ninguém mais indicado para dar um depoimento sobre a relação entre violência e drogas do que o Dr. Carlos Delmont Printes, legista-chefe do Instituto Médico Legal da cidade de São Paulo. Numa matéria jornalística sobre crack publicada em julho de 1995, o Dr. Carlos declarou: "Quando surgiu a maconha há cerca de 40 anos, notamos que aumentaram o número de assaltos com violência sexual. (…) Com a introdução da cocaína houve uma desproporção nos crimes com violência desnecessária. (…) As pessoas [com o uso do crack] sofreram uma quebra total do discernimento, agravando a criminalidade." De acordo também com o IML, a maioria das vítimas de crack morre por hemorragia no pulmão.

De 30%  a 35% das chacinas cometidas em São Paulo estão relacionadas com entorpecentes. Quase sempre a droga é o crack, cujo tráfico se alastrou sensivelmente no Estado ao longo da última década. “Após o advento do crack, houve um aumento no número de homicídios na região de maneira geral, por causa da violência relacionada com o tráfico”, observa o delegado Nivaldo Pereira de Oliveira, assistente da Divisão de Homicídios.

A quebra do discernimento pode ser ilustrada por esses dois casos: uma moça de 17 anos que se prostitui para conseguir crack diz não se importar com a possibilidade de contrair AIDS. Ela conta que certa vez, drogada, viu cobras descendo por um poste… Uma outra moça, de 20 anos, diz que cada pedra de crack é uma pessoa, e que todas conversam com ela...

A compulsão pelo consumo da droga é tão avassaladora, que alguns viciados se mudam para as favelas, apenas para ficar mais próximos dos pontos de venda. De cada dez viciados, nove nunca mais conseguem largar a droga, que atinge hoje todas as camadas sociais. Os especialistas afirmam categoricamente que não há hoje, no mercado das drogas, algum produto com efeitos tão devastadores quanto os do crack.

O viciado se degrada tão profunda e rapidamente, e de modo tão visível, que, ao contrário do que acontece com as outras drogas, ele tem plena consciência que a sua transformação é devida ao crack. Um estudo realizado pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos de Alcoolismo e Farmacodependência do Hospital das Clínicas mostrou que enquanto apenas 25% dos alcoólatras admitem que o álcool é a causa de seus problemas, esse índice sobe para 73% no caso de consumo de cocaína e 100% para os viciados em crack.

Num artigo datado de julho de 1995, em que comparava os efeitos do crack com os de um mundialmente famoso medicamento antidepressivo, o médico psiquiatra Dr. Auro D. Lescher declarou: "Não merecemos esses dois artifícios químicos que atenuam respectivamente a fome e a cegueira, que ratificam nossa patologia e que matam nossa indignação."

Concordo com o Dr. Lescher, menos na parte em que diz que não merecemos isso. O consumo desenfreado de drogas da época atual é o retrato mais claro da profunda decadência da criatura humana, uma espécie bizarra, que durante milênios se esforçou diligentemente em prol de sua própria destruição. Finalmente ela agora conseguiu o seu intento. A maior parte dos seres humanos desaparecerá para sempre desta Terra, para que finalmente haja paz e alegria para os de boa vontade.

Em fins de 1997, o governo do Distrito Federal no Brasil descobriu que o entorpecente mais procurado na capital do país era um novo tipo de droga obtida da pasta da coca: a "merla". Em laboratórios improvisados de Brasília, a pasta vinda da Bolívia, Colômbia e Peru é "enriquecida" com ácido sulfúrico, querosene, gasolina, benzina, metanol, cal virgem, éter e pó de giz. De acordo com uma pesquisa realizada na época, 68,7% dos usuários de merla roubavam para poder sustentar o vício, 17% se envolviam com o tráfico para poder adquirir a droga e 20,5% haviam tentado se matar para fugir da síndrome da abstinência ou da depressão causada pelo uso continuado.

A merla destrói grande número de neurônios (células cerebrais), prejudica a memória e a coordenação motora, podendo causar hepatite tóxica e fibrose pulmonar e, assim como a cocaína, provoca taquicardia e em casos extremos até parada cardíaca.

Ópio e derivados

O ópio é um látex obtido da incisão dos frutos imaturos de várias espécies de papoula. A droga tem o seu consumo largamente difundido no Oriente, principalmente na China, onde existem até locais próprios para se consumi-la. É a única droga que foi motivo declarado de uma guerra, a chamada "Guerra do Ópio" entre China e Inglaterra em 1840. A Inglaterra produzia ópio na Índia e o vendia aos chineses. Quando estes últimos tentaram reprimir a venda ilegal da droga, a Inglaterra declarou guerra à China.

O ópio é aquecido e depois inalado, provocando euforia e sonhos confusos. Não é uma droga muito difundida no Ocidente, ao contrário de seus dois principais derivados: a morfina e a heroína. Essas duas substâncias causam profunda dependência, tanto psíquica como física, gerando os graves efeitos da "síndrome de abstinência", além de desenvolverem tolerância.

A síndrome de abstinência aparece quando se suspende bruscamente a droga, e inclui uma enorme gama de alterações físicas e psíquicas. A tolerância significa que os viciados nessas drogas (e outros narcóticos) precisam de doses cada vez maiores para obterem os mesmos efeitos anteriores.

Nas primeiras 4 horas sem a droga, a síndrome de abstinência do viciado em ópio produz duas alterações ou sintomas; passadas 8 horas, surgem oito alterações; após 12 horas, registram-se quinze alterações; entre 18 e 24 horas de abstinência, observa-se vinte e cinco alterações no viciado, e entre 24 e 36 horas sem a droga surgem trinta e quatro alterações.

Essas alterações incluem: prostração intensa, tremores musculares, ondas de calor e frio, dores ósseas e musculares, vômitos, febre, diarréia, desidratação, hiperglicemia. Caso o viciado consiga realmente se livrar da droga, após sete ou oito meses ele ainda apresentará os seguintes efeitos remanescentes: diminuição dos batimentos cardíacos, redução da pressão arterial e da temperatura do corpo, aumento de adrenalina no sangue, grande sensibilidade ao stress e aumento de sintomas depressivos. Todas essas alterações trazem o risco de fazer o ex-viciado desistir e retornar ao vício. Ficam então na mesma situação do náufrago que nada, nada, e morre na praia.

O viciado em ópio está sujeito também a complicações neurológicas gravíssimas, como: abcesso cerebral, meningite, necrose da medula, cegueira, crise convulsiva, acidente vascular cerebral, coma narcótico. A tudo isso ele se sujeita, quando decide conscientemente destruir a própria vida.

A morfina foi produzida em laboratório pela primeira vez em 1803, para ser usada como analgésico. É um dos mais ativos alcalóides do ópio.

Nas mulheres grávidas a droga atravessa a placenta e pode induzir ao aborto ou parto prematuro, além de intoxicar o feto, o que freqüentemente o mata após o nascimento. Caso sobreviva, o recém-nascido também apresentará vários sintomas da síndrome de abstinência, como: febre, tremores, vômitos, convulsões e insuficiência respiratória. Uma gestante que se droga é, portanto, duplamente culpada, por agredir dessa maneira criminosa o seu corpo e o do seu filho.

Na tentativa de encontrar um substituto seguro para a morfina, o químico alemão Heinrich Dreser desenvolveu, em 1898,  a diacetilmorfina, uma substância três vezes mais potente que a morfina. Por causa dessa grande potência, o composto químico recebeu o nome de "heroína". "A substância não é hipnótica e não apresenta riscos de desenvolver o vício", afirmava na época o Boston Medical and Surgical Journal. No início, a droga era receitada para aliviar a tosse. Infelizmente, a heroína se mostraria ainda muito mais viciante do que a morfina.

Os efeitos da heroína no viciado são equivalentes aos da morfina, agravados ainda pelos contaminantes utilizados na sua preparação para uso tóxico, que podem causar, entre outras complicações, surdez, cegueira, delírios, coma e morte. A heroína ainda afeta particularmente os rins do dependente. Recentemente, uma bactéria não identificada contaminou uma carga de heroína nos Estados Unidos e matou três viciados em San Francisco.

Usar heroína por duas ou três vezes já é suficiente para transformar um simples curioso num escravo totalmente submisso à droga. Alguns viciados em tratamento numa clínica no Afeganistão, por exemplo, haviam cortado o couro cabeludo para friccionar heroína nos ferimentos. Eles achavam que era o caminho mais curto para a droga chegar ao cérebro... 

Com o uso continuado de heroína o organismo deixa de produzir endorfinas e entra em colapso se a droga falta. O mais suave estímulo físico é sentido como dor; o estômago e o intestino entram em pane, causando dores abdominais, diarréia e vômito; o coração e a respiração ficam acelerados. Isso acontece porque o corpo passa a produzir noradrenalina em excesso. O organismo também fica incapaz de regular a temperatura, e o viciado passa a suar muito e a sentir calafrios.

Como a heroína é mais difícil de diluir em água  do que outras drogas, ela costuma entupir as veias, causando flebite (inflamação dos vasos sangüíneos). Com as picadas freqüentes torna-se cada vez mais difícil encontrar uma veia adequada, e o viciado passa a injetar a droga nos pés e na jugular. A longo prazo, as injeções causam inflamação nas válvulas cardíacas.

Até há pouco, imaginava-se que a heroína era uma droga a caminho da extinção, depois do seu apogeu nos anos 70. No entanto, em 1995 já se constatava nos Estados Unidos um consumo crescente do narcótico, que retornava mais barato e letal do que nunca. O DEA, órgão americano de controle de drogas, estima que o consumo de heroína havia crescido 20% no país apenas entre os anos de 1994 e 1995. Em 1997 estimava-se em 600 mil o número de americanos dependentes da substância. Segundo especialistas, nunca a qualidade da droga foi tão alta e a oferta tão abundante como agora. O presidente de uma entidade assistencial de Nova York declarou: "A droga é muito barata e muito acessível, e no começo parece mais inofensiva que o crack. Vai levar quatro ou cinco anos até que entendam o perigo que estão correndo e, quando isso acontecer, estaremos vivendo uma verdadeira epidemia."

Um outro exemplo da modificação progressiva dos conceitos de que já falamos anteriormente vem da Holanda: em agosto de 1997, um pastor protestante anunciou a decisão de vender "heroína de excelente qualidade a preços baixos" a um grupo de dez viciados considerados irrecuperáveis.

Em maio de 1996 surgiu uma variante da heroína batizada de "super buick" ou "heroína homicida". Em pouco tempo centenas de pessoas foram internadas na costa leste dos Estados Unidos, intoxicadas e apresentando comportamento agressivo, em decorrência dos efeitos da nova variedade da droga. Pelo menos quatro pessoas morreram.

Alucinógenos

As drogas alucinógenas são conhecidas da humanidade há milênios e até hoje ainda estão presentes em alguns grupos humanos em sua forma mais primitiva, através do consumo direto de certos tipos de cactos e cogumelos. Uma índia mexicana, por exemplo, afirma que os cogumelos – que ela chama de "fungos sagrados" – a levam para um mundo onde "tudo acontece e tudo se sabe". Quando volta da viagem, ela então relata aos outros o que os fungos lhe disseram…

Os cogumelos provocam alucinações variadas. Às vezes, o usuário tem reações psíquicas agradáveis, em outros casos tem sensações de deformação do próprio corpo, um efeito evidentemente nada prazeroso.

Apesar de provavelmente ser o tipo de droga mais antigo conhecido, foi apenas na década de 60 que os alucinógenos deram um impulso decisivo para a já então inevitável queda da humanidade.

Foi a época da chamada contracultura. Tendo como pano de fundo o objetivo nobre do pacifismo, jovens do mundo inteiro protestavam viciando-se numa droga alucinógena chamada LSD, o ácido lisérgico. O lema da geração hippie era "sexo, drogas e rock-and-roll". A atitude da juventude daquela época pode ser comparada, por exemplo, a de uma pessoa que percebe estar sendo intoxicada por um determinado alimento e que, para se curar, ingere veneno. O lema dos hippies era “o álcool mata, tomem LSD”. O “ácido da felicidade” foi o tônico da contracultura. Woodstock foi o retrato mais claro, mais pungente da decadência irrefreável da juventude no século XX.

O LSD era utilizado com o objetivo de "aumentar o estado de consciência", para o que ajudava também a bizarra prática da trepanação a que alguns se submetiam, que consiste simplesmente em fazer um buraco no crânio... A história dessa droga, não por acaso denominada de demoníaca pelo seu descobridor, é a seguinte:

Em 1938, o químico suíço Alberto Hofmann estava pesquisando um remédio para enxaqueca no Laboratório Sandoz. Acabou sintetizando uma nova substância a partir do fungo Claviceps purpurea, existente no centeio. Testou o “analgésico” em animais  e decepcionou-se. Hofmann esqueceu o preparados numa prateleira e, cinco anos depois, ingeriu acidentalmente uma partícula. Foi a primeira “viagem” a bordo das alucinações do LSD. Pasmo, o químico viu, sentiu e cheirou “uma torrente de imagens fantásticas de extrema plasticidade e nitidez, acompanhadas de um caleidoscópio jogo de cores."

No seu livro "LSD: Meu Filho-Problema", Hofmann diz: “Um demônio tomou posse da minha alma. As coisas ao meu redor haviam-se transformado de maneira terrível. Tudo no quarto girava, e objetos familiares e peças de mobília assumiam formas grotescas e ameaçadoras. Pareciam animados. A vizinha, que veio me trazer leite, não era mais a Sra. R., e sim uma bruxa malévola com uma máscara colorida. Piores que essas transformações demoníacas no mundo exterior foram as mudanças que eu percebi em mim mesmo. Cada esforço da minha vontade, cada tentativa de por fim à desintegração do mundo exterior e à dissolução do meu ego, pareciam ser inúteis. Um demônio me havia invadido e tomado posse do meu corpo e da minha alma”.

Hofmann não podia saber, mas a causa verdadeira de sua impossibilidade de interagir com o mundo exterior foi a alteração de sua composição sanguínea, provocada pelo LSD. A mudança da composição sanguínea, nesse caso, impede a alma de atuar corretamente através do corpo terreno, seu invólucro, de modo que a sua vontade acaba por não poder mais se fazer valer no mundo material.7

Os alucinógenos (existem vários tipos) são substâncias que distorcem a realidade e o estado de percepção. Podem desencadear o aparecimento de estados psicóticos, depressão, pânico e alucinações incontroláveis. Também há registros de suicídios. A mais conhecida das drogas alucinógenas é mesmo o LSD, substância de ação potentíssima, cerca de 300 mil vezes mais forte que a maconha. Uma dose de 0,05 miligrama proporciona de 4 a 10 horas de alucinações. O viciado em LSD tem, entre várias outras, as seguintes reações:

Vários trabalhos científicos demonstraram que o LSD provoca alterações nos cromossomos, causando assim graves deformidades nos fetos. Ao provocarem essas deformações nos fetos em desenvolvimento, as mulheres grávidas, viciadas em LSD, tornam-se culpadas por atraírem à Terra almas muitíssimo carregadas carmicamente, que só poderiam se encarnar em corpos assim deformados.

Várias outras drogas alucinógenas apresentam efeitos muito semelhantes aos provocados pelo LSD. A droga conhecida como PCP (fenciclidina) foi originalmente desenvolvida para uso veterinário, como anestésico. Hoje, é habitualmente usada pelos viciados em combinação com álcool, maconha, heroína, cocaína, barbitúricos e com o próprio LSD. O Peiote,cacto de onde se extrai a mescalina, é cultuado por diversas tribos na América do Norte e a Igreja Nativa Americana conseguiu a legalização de seu uso ritual nos Estados Unidos. A Beladona, conhecida no Brasil como "zabumba" e cujo nome científico é Atropa belladonna, era usada nos cultos de bruxaria da Idade Média e agora voltou à moda. A Cetamina, utilizada por veterinários para tranqüilizar cães e outros animais, é hoje conhecida entre os americanos como vitamina K, ou Special K, sendo cada vez mais popular entre os estudantes. Essa droga faz com que os usuários sintam "a mente dissociada do corpo". A combinação com álcool pode levar à morte por deficiência respiratória. Segundo um barman paulista, “cheirar uma carreira de 5 centímetros de Special K equivale a uma carreira de cocaína do tamanho de um braço, por um quarto do preço”.

No Brasil há uma seita que serve um chá alucinógeno, produzido pelo cozimento de um cipó chamado ayahuasca e uma planta, o qual  teria poderes de "desvendar novos mundos" a seus consumidores. A palavra ayahuasca significa "cipó das almas". Os seguidores da seita chegam a administrar a beberagem até para crianças, e mesmo misturá-la às mamadeiras dos bebês. O chá contém dois alcalóides potentes: a harmalina, no cipó, e a dimetiltriptamina, que vem da chacrona, a folha misturada ao chá para potencializar seus efeitos. A bebida ajuda a "quebrar as barreiras da consciência" e sob seu efeito, a chamada “borracheira”, os fiéis afirmam ter visões místicas, as “mirações”. A dimetiltriptamina, ou DMT, foi proscrita para uso humano pelo Escritório Internacional de Controle de Narcóticos, órgão da ONU encarregado de estudar substâncias químicas e aconselhar os países membros quanto à sua regulamentação. O chá atualmente é exportado para outros centros da seita localizados na França, Espanha, Holanda e Finlândia. No mercado negro, um litro da bebida, suficiente para seis doses, custa 30 dólares.

O viciado em drogas alucinógenas provoca conscientemente alucinações em si mesmo para fugir da realidade. A mais grave de todas essas alucinações, porém, é a de imaginar que pode fazer isso sem ficar pessoalmente responsável perante as Leis espirituais da Criação.

Outras drogas

O consumo crescente de drogas em todo o mundo favorece o aparecimento de novas substâncias viciantes, sejam as desenvolvidas com essa finalidade pelos próprios fabricantes, ou as inicialmente produzidas em laboratórios para fins terapêuticos e que acabam tendo seu uso deturpado pelos que entram em contato com elas, transformando-se em novos flagelos químicos.

Em 1912 os laboratórios Merck, na Alemanha, ao pesquisarem uma droga moderadora de apetite sintetizaram a substância metilenodioximetanfetamina (MDMA). Vendida no mercado com o nome de XTC, a droga ficou pouco tempo nas prateleiras das farmácias após o registro de casos de alucinações entre usuários. Os comprimidos reapareceram nos anos 70 para embalar as festinhas de jovens na Inglaterra e nos EUA. Nos anos 80, passaram a ser combustível obrigatório nas danceterias da moda. Logo depois ela passou a ser conhecida com o nome de "ecstasy".

O apelido foi dado por um traficante americano em 1984. A idéia era vender a droga sob o nome de empathy (“empatia”, em inglês), pois um de seus efeitos mais notáveis era o aumento da sociabilidade dos usuários. Mas o traficante achou que ecstasy tinha mais apelo comercial...

O ecstasy é uma droga peculiar. É aparentado quimicamente com as anfetaminas e com o LSD ao mesmo tempo. Ou seja, é estimulante e alucinógeno. Isso faz com que os sentidos do usuário, em especial o tato, fiquem mais aguçados. Essa estimulação do tato fez com que o ecstasy ficasse conhecido como a “droga do amor”. A "droga do amor" ou "pílula do amor" provoca perda total da inibição e, de acordo com os que a consomem, "intensificação do sentimento de amor ao próximo". Sob o efeito da droga a pessoa tem a impressão de que é agradável, simpática e muito sensível. Nas danceterias — principais locais de consumo — são comuns cenas de grupos de pessoas caindo e rolando abraçadas pelo chão.

Também conhecida como "Adam", "X", "E",  o ecstasy provoca sensação de bem-estar e elevação do humor. Aumenta a temperatura do corpo, aumenta a freqüência cardíaca e a pressão arterial. Pode provocar crises de pânico e depressão após o uso. Outros sintomas bastante comuns são:

O ecstasy é muito popular nos campi universitários dos Estados Unidos, e na Europa atualmente o consumo só fica abaixo da maconha e do haxixe. Até um livro sobre o ecstasy e a dança já foi escrito… A droga vem se alastrando pelo mundo, e tornou-se um problema crônico até na muçulmana Indonésia. Lá, até mesmo os taxistas da capital, Jacarta, admitem consumir ecstasy em seus períodos de serviço. Uma matéria jornalística sobre o assunto dizia muito apropriadamente: "Talvez a raiz do problema esteja mais fundo: a droga seria apenas um exemplo da grande crise moral por que passa o país, ao lado do aumento dos casos de gravidez na adolescência, contaminação pela AIDS e mortes de escolares de instituições rivais."

De acordo com dados do livro Os Efeitos da Droga no Cérebro Humano, do Dr. Eduardo Kalina, a Espanha contabiliza a seguinte progressão no consumo de ecstasy: de 1989 a 1990, 4 mil pastilhas; em 1991, 22 mil pastilhas; em 1992, mais de 43 mil; em 1993, mais de 274 mil; em 1994, mais de 4 milhões de pastilhas, número inferior ao registrado no primeiro trimestre do ano de 1995.

Em 1995, no auge da onda clubber, quase um milhão de pessoas consumiam a droga a cada final de semana na Inglaterra. Naquele ano, uma moça de 18 anos morreu depois de tomar um único tablete da droga, fato que não desestimulou o consumo no país, onde se estima que o número de pílulas consumidas a cada fim de semana seja de um milhão e meio. Um estudo internacional mostrou que, em 26 casos, houve 9 mortes em períodos de 2 a 60 horas após a ingestão de ecstasy. Estatísticas divulgadas pela Drug Awareness Warning Network (Rede de Conscientização sobre as Drogas) relacionam 637 casos de atendimento de emergência em hospitais dos Estados Unidos, relacionados com ecstasy, em 1996.

No Brasil, a polícia paulista já manifestou preocupação com o avanço da droga, enquanto que no Rio de Janeiro já foram apreendidos de uma só vez 1.053 comprimidos de ecstasy. Em junho de 98, o jornal O Estado de S. Paulo divulgou que a polícia havia feito a maior apreensão de ecstasy em São Paulo: três jovens de classe média foram presos com 1.134 comprimidos. Em outubro de 1999, o mesmo jornal divulgou a maior apreensão da droga ecstasy no Brasil: uma carga com cerca de 60 quilos da droga, aproximadamente 171 mil comprimidos. Segundo o Jornalista Sérgio Pompeu, a apreensão mostra que o tráfico de ecstasy no Brasil já deixou de ser artesanal para adquirir contornos industriais. “Em meados da década, o comprimido custava R$ 50,00 , que representavam, na época, quase a mesma quantia de dólares. Hoje (junho de 1998), compra-se ecstasy em São Paulo por R$ 30,00,  ou cerca de US$ 15”, afirma ele.

“Essa droga é uma bomba relógio que oferece risco iminente de morte mesmo para quem a experimenta pela primeira vez”, diz o psiquiatra brasileiro Pérsio Ribeiro, assessor do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc).

Opinião não compartilhada pela estudante Carolina, para quem o uso do ecstasy e de drogas como o Special K está intimamente ligado às festas. “Dançamos horas a fio, mas no dia seguinte o estrago é grande”, confessa. Depois de ficar “a mil”, como descreve Carolina, o consumidor do ecstasy passa por uma depressão fortíssima. Ela revela que não é raro amanhecer com crises de choro que duraram até uma hora. “Sabemos os estragos feitos pela droga, mas usamos assim mesmo”, completa (grifo meu). Quando ingerido com álcool o ecstasy pode causar, além de alucinações, choque cardiorrespiratório.

Além da desinibição, a droga estimula a pessoa a dançar continuamente, sem descanso8. A pessoa fica submetida a um estímulo constante e por isso fala, dança e pula sem parar, como um motor de carro que trabalha sempre em alta rotação. O resultado no organismo é o superaquecimento, como ocorreria num motor. Os locais fechados, como boates e clubes contribuem para a hipertermia. A maior parte das mortes registradas foi decorrência disso. A pessoa movimenta-se sem parar, sua abundantemente, o corpo esquenta demais (pode chegar a 42ºC e cozinhar os órgãos internos) e a desidratação é fulminante. A necessidade de tomar água é tal que muitas vezes a pessoa bebe a do vaso sanitário para tentar se refrescar. A droga também é extremamente tóxica para o fígado, que pode até parar de funcionar.

Segundo o Dr. Kalina, o ecstasy também pode causar: fadiga, depressão, dor de cabeça, inapetência, nistagmo, visão turva, manchas roxas na pele, movimentos descontrolados da cabeça, pescoço, braços e pernas, dificuldades respiratórias, náuseas, câimbras gástricas, vômitos, crises bulímicas, hipertensão arterial, insônia, irritabilidade, reações paranóides, psicoses paranóicas acompanhadas de idéias suicidas.

Para tentar minimizar o problema do superaquecimento nas danceterias, uma matéria de jornal "aconselhava" os usuários da droga a descansarem de tempos em tempos durante a dança e beberem bastante líquido, dando atenção aos sinais do corpo, como taquicardia e sede, que chega a ser tão intensa que a língua gruda no céu da boca. No entanto, como a pessoa sob o efeito da droga não fica exatamente com o domínio total da sua vontade, ao procurar atender esses conselhos o usuário pode, sem perceber, beber água em demasia, provocando um colapso do sistema antidiurético do corpo, o que também acarreta a morte. Há registro de um viciado que morreu depois de ingerir de uma só vez 14 litros de água...

Depois de certo tempo de consumo, o usuário precisa aumentar a dose para convencer seu organismo a liberar a quantidade de serotonina que proporciona prazer. E, na mesma proporção, aumenta o risco de se sofrer uma hipertermia.

Segundo o Dr. Kalina, há uma outra variedade de ecstasy, denominada "ICE", que se popularizou no Havaí e em certas regiões da costa oeste dos Estados Unidos, usada principalmente por via endovenosa, com um alto índice de letalidade.

Já a última versão do ecstasy, o ecstasy líquido, aumentou em 18% as mortes por consumo de entorpecentes desde sua aparição no mercado alemão, em janeiro de 1998. Segundo o chefe do Programa Contra as Drogas, Eduard Lintner, os efeitos do ecstasy líquido são similares aos do comprimido, mas o risco de o consumidor entrar em coma é superior. Segundo cálculos, desde janeiro deste ano a versão líquida causou a morte de 635 pessoas na Alemanha. No ano passado, 539 consumidores morreram em decorrência da droga em pastilha, no mesmo período. Segundo Lintner, o ecstasy, proveniente dos Estados Unidos, entra no país por meio da Suécia, Grã-Bretanha e Itália.

Segundo o Dr. Kalina, em 1996 havia cerca de 50 novas variedades de drogas derivadas da metanfetamina (o ecstasy é uma variante metoxilada), elaboradas clandestinamente pelos "projetistas de drogas" (drug designers), sobre as quais não se tinha maiores informações... Sabia-se, por exemplo, da "DOM", abreviatura de dimetoxi-4-metanfetamina, uma variante alucinógena e da "PPMA", abreviatura de parametoximetanfetamina, surgida na Espanha. A metanfetamina vem sendo usada esporadicamente desde 1930, mas foi "redescoberta" na década de 70 por uma nova geração de dependentes químicos e adotada pelos "projetistas" nas últimas duas décadas.

No início de 1996 começou a surgir notícias sobre o consumo de uma droga que seria ainda mais mortífera que o crack. Era o "crank", cujo princípio ativo é também a metanfetamina. O crank custa muito menos do que a cocaína e os seus efeitos são mais duradouros. Os viciados permanecem eufóricos por vários dias, antes de mergulhar numa profunda depressão, seguida de paranóia. Nos Estados Unidos, numa localidade onde o consumo é crescente, os crimes aumentaram na mesma proporção em que se registrava um surto de comportamentos bizarros: pais viciados se tornaram negligentes e perderam a guarda dos filhos; um homem de passado inatacável começou a invadir casas para roubar; um outro saiu correndo do seu local de trabalho em busca de uma arma, dizendo-se perseguido por helicópteros… O Dr. Michael Abrams, médico de uma outra cidade em que mais pessoas haviam sido internadas por causa do crank do que pelo alcoolismo, advertiu: "É a droga mais maligna e a que mais cria dependência."

De acordo com a polícia de Myanmar, a "meta" (como é chamado o crank lá) estava rendendo para os traficantes, no início de 1998, de duas a três vezes mais do que a heroína. Em 1995  não havia sido feita nenhuma apreensão da droga no país, mas em 1996 e 1997 foram apreendidos mais de 10 milhões de comprimidos. Segundo especialistas, a meta estava se espalhando pela Ásia; já tinham aparecido pílulas do Japão à Malásia e da China ao Vietnam.

Notas de Texto

1. Falamos aqui dos efeitos danosos do vício de fumar à saúde do corpo terreno. Os efeitos na alma do fumante são muito mais incisivos. A quem desejar conhecê-los, indica-se o livro Fios do Destino Determinam a Vida Humana, de Roselis von Sass. voltar
2. Difícil imaginar qual foi o critério utilizado para se avaliar uma vida em dólares. voltar
3. Segundo uma reportagem veiculada na televisão, em novembro de 1995, a quantidade de substâncias tóxicas do cigarro chegaria a 5 mil, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. voltar
4. A metástase cancerosa é o aparecimento de focos secundários de câncer no corpo, no curso da evolução de um tumor maligno. voltar
5. O cultivo estende-se da rodovia Beirute-Damasco em direção ao norte do país, numa distância aproximada de 50 Km, até as cercanias da cidade de Baalbeck, onde outrora erguiam-se as cidades de Sodoma e Gomorra. O nome Baalbeck deriva de Baal, o mais forte servo de Lúcifer na antigüidade, e que instigou os seres humanos de épocas passadas ao "culto de Baal". O culto misturava mentiras, idolatrias, sacrifícios sangrentos e consumo de narcóticos. Esse culto horrendo e suas conseqüências estão minuciosamente descritos em O Livro do Juízo Final, de Roselis von Sass. voltar
6. Guardadas as devidas proporções, o processo é idêntico ao causado pelos antidepressivos tricíclicos, mencionados no tópico Abalos Anímicos. A cocaína também potencializa os efeitos dos neurotransmissores noradrenalina e serotonina. voltar
7. Ao leitor que desejar conhecer a principal função do sangue humano, indica-se aqui a dissertação "O Mistério do Sangue", contida no volume 3 da obra Na Luz da Verdade, de Abdruschin, publicada pela Editora Ordem do Graal na Terra. voltar
8. Mais uma forma de se cumprir a doutrina luciferiana do "viver até exaurir-se". voltar